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Refluxo gastroesofágico: quais os sintomas e como tratar

A entrada de conteúdo gástrico no esófago origina esta doença.

Ardor no esófago, sensação de enfartamento e arrotar com maior frequência são alguns dos sintomas associados ao refluxo gastroesofágico. Este problema do sistema digestivo, associado muitas vezes à obesidade e ao tabagismo, afeta 15 a 20% das pessoas, segundo estimativas feitas, e “consiste na passagem de conteúdo gástrico para o lúmen esofágico”, explica David Serra, coordenador da Unidade de Gastrenterologia do Hospital Lusíadas Lisboa. Se não for tratado, além de poder causar problemas como o desgaste dos dentes, o refluxo gastroesofágico aumenta o risco de cancro esofágico.

Passagem de um sentido

Os alimentos que ingerimos e deglutimos, transformados em bolo alimentar, descem pelo esófago e caem no estômago, onde são envolvidos num líquido altamente acídico para continuar a digestão.

As células que constituem as paredes do estômago estão preparadas para este ambiente acídico, mas as células do esófago não estão. Por isso, existe uma válvula que separa o esófago do estômago e permite que o bolo alimentar desça para o estômago, mas impede que o suco digestivo suba para o esófago. 

Esta estrutura, chamada esfíncter esofágico inferior, pode deixar passar, uma vez por outra, um pouco do conteúdo do estômago para o esófago. E é natural que qualquer pessoa sinta de vez em quando azia no esófago associada a este fenómeno. No entanto, se este refluxo acontecer frequentemente, estamos perante a doença de refluxo gastroesofágico, que deve ser tratada.

Causas e sintomas

“A principal causa do refluxo gastroesofágico é uma anomalia motora no esfíncter esofágico inferior, que representa a nossa barreira anti-refluxo”, explica David Serra, apontando para um problema de mecânica do organismo.

No entanto, há causas que estão relacionadas com o estilo de vida das pessoas. A obesidade aumenta a pressão intra-abdominal, o que obriga o conteúdo do estômago a sair para o esófago, tornando o esfíncter esofágico inferior mais fraco. “Além disso, a obesidade está habitualmente associada a maus hábitos alimentares, que também agravam a doença”, explica o médico.

O consumo de tabaco tende a agravar o refluxo. Os ingredientes dos cigarros, além de reduzirem a tonicidade do esfíncter, diminuem a proteção da mucosa que liga o estômago ao esófago, tornando-a mais sensível à irritação causada pelos conteúdos acídicos do estômago. A gravidez pode também provocar o refluxo gastroesofágico devido à pressão do feto no estômago.

Ao tornar-se crónico, o refluxo acaba por provocar vários sintomas e sequelas no esófago e em outros órgãos do organismo. “O refluxo provoca danos nas junções intercelulares das células esofágicas permitindo que as secreções ácidas entrem em contacto com os nervos sensoriais do epitélio, provocando azia e as lesões típicas de esofagite [inflamação do esófago]”, diz o especialista.

Além disso, pode provocar o esófago de Barrett, em que há uma alteração da fisionomia das células epiteliais do esófago que pode progredir para um cancro naquele tecido.

Além das sequelas e sintomas no esófago, o refluxo gastroesofágico pode provocar:

  • Sensação de enfartamento;
  • Eructação (quando se arrota com frequência);
  • A produção de mais saliva;
  • Rouquidão;
  • Tosse seca;
  • Laringite;
  • Faringite; 
  • Sinusite;
  • Asma;
  • Halitose;
  • Aftas;
  • Erosão dos dentes.

Todos estes sintomas ajudam os médicos a diagnosticar o problema.

Outros sinais que podem alertar para a doença são:

  • A hemorragia;
  • Dificuldade em engolir os alimentos ao longo do esófago
  • Perda de peso;
  • Anemia.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico passa por uma avaliação clínica, uma análise da função do esófago e a endoscopia, que permite identificar se existe ou não a inflamação do esófago causada pelo ácido do refluxo. 

Apesar de a maioria dos doentes não apresentar inflamação do esófago, o tratamento deve, ainda assim, ser realizado não só para extinguir a sensação de azia, mas também para impedir a progressão da doença e das suas sequelas.

Um dos tratamentos mais utilizados são os inibidores de bombas de protões. Estas bombas de protões, situadas nas membranas das células do estômago, são importantes para produzir a acidez durante a digestão. 

Ao impedir o funcionamento destas bombas, há uma redução da concentração de acidez e uma diminuição da azia. Se ao deixarem de tomar estes inibidores, os doentes voltarem a ter o refluxo, então os médicos acabam por prescrever estes fármacos durante um tempo indeterminado.

Também podem ser usados antiácidos para alívio dos sintomas de azia.

Se o tratamento à base de medicamentos não funcionar, os médicos podem recorrer à cirurgia, onde é cosida uma parte do estômago à volta do esófago. Este procedimento leva a uma pressão adicional do esfíncter esofágico inferior que ajuda a prevenir o refluxo.

Uma mudança no estilo de vida e nos hábitos alimentares ajuda a melhorar o refluxo. Além de a perda de peso ser um fator importante, os médicos aconselham as pessoas a:

  • Evitar refeições abundantes e ricas em gordura;
     
  • Evitar refeições duas horas antes de deitar;
     
  • Deixar de fumar;
     
  • Evitar os alimentos que agravam o refluxo tais como os que são ácidos (como os citrinos ou os tomates), a menta, o chocolate, a cebola, o café e o chá com teína, as bebidas gaseificadas e as bebidas alcoólicas.

Em suma

O refluxo gastroesofágico surge quando os conteúdos gástricos sobem para o esófago provocando azia e muitos outros sintomas. Além do mal-estar, se não for tratada, esta doença pode aumentar o risco de cancro esofágico. A mudança do estilo de vida e dos hábitos alimentares, acompanhada pela toma de medicamentos que diminuem a acidez do estômago são os tratamentos desta doença.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. David Martins Serra

Coordenador da Unidade de Gastrenterologia

Gastrenterologia
Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica de Stº António
PT