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“Agora tenho uma vida com muito mais gosto”

Quando Carlos Henriques foi à consulta de desabituação tabágica já não era a primeira vez que tentava deixar de fumar. O problema é que não conseguia sozinho. Neste texto, o colaborador do Hospital Lusíadas Lisboa conta a sua história. E de como foi capaz de deixar um vício que o acompanhou durante 17 anos.

Comecei a fumar quando tinha 17/18 anos e continuei até aos 34. Todos os dias fumava meio maço de tabaco e vou ser muito sincero: o começar a fumar é pura “burrice”, ser tão novo, não ter responsabilidades, não pensar no futuro. O meu filho nasceu em 2009, faz em novembro próximo 7 anos, foi ele a minha principal motivação a deixar de fumar e que me fez seriamente tomar esta decisão. 

Tentei várias vezes que até lhes perdi a conta, foram com certeza mais de meia dúzia de vezes desde que o meu filho nasceu. Eu decidia: “A partir de agora vou deixar de fumar porque isto não é benéfico para mim nem para quem me rodeia. Não vou estar a privar o meu filho de ter uma boa saúde porque eu não a quero ter.” Mas reincidia sempre…

Ou era para aliviar o stresse do trabalho, ora porque tinha dias mais tensos em que precisava de ir apanhar um bocadinho de ar e de fumar um cigarro. Quando voltava parecia que já vinha com a cabeça um pouco mais limpa relaxada. Muitas vezes ia ao café com os amigos e o ato de beber café era inevitavelmente acompanhado do cigarro, um ato de pura inconsciência.

Até ao dia em que a Lusíadas lançou uma campanha que desafiava os colaboradores a deixar de fumar, com acompanhamento médico gratuito. Pensei logo que era uma oportunidade a não perder pois com apoio seria muito mais fácil. Fui a três consultas apenas, pois a ausência do tabaco já não se fazia notar e, por isso, não sentia vontade de recair e fumar. Assim sendo dei lugar a outros! Isso foi há um ano e dois meses!

O importante para mim era ter o apoio psicológico necessário nesse momento. Os fumadores a longo prazo precisam de muito apoio e a Dra. Eduarda Pestana foi muito objetiva e deu-me força. A partir daí tudo mudou. Posso dizer que tenho uma vida com muito mais gosto. Só o simples facto de não sentir o cheiro do tabaco na roupa é um benefício enorme. Tiro muito mais proveito daquilo que tenho. O paladar foi logo a primeira coisa que comecei a sentir, depois o olfato. Os sabores e os cheiros ficaram mais intensos. Logo eu que gosto de comer!

 E se por um lado era bom, por outro receava pelo risco de engordar. Nesse aspeto tive que me conter um pouco. Realmente o medo principal que eu tinha era de ganhar peso, mas efetivamente tive sorte, pois consegui que o deixar de fumar não se refletisse no meu peso. Mas agora estou é motivado a ter uma vida mais saudável! A nível da saúde sinto também uma maior resistência física. Isso notou-se logo poucos dias após deixar de fumar. Notei uma diferença enorme até no simples ato de me deslocar do hospital até ao carro.

Quando fumava ia até ao carro, que é um percurso de cinco ou dez minutos, e chegava lá cansado. Agora não. Foi uma diferença da noite para o dia. Agora, quando tenho um dia mais cansativo ainda bebo o meu café, mas sem cigarro. Muitos colegas ficam a olhar para mim quando faço aquela pausa de 5 minutos, apenas acompanhado do meu café. O meu cigarro agora é o café!

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