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Os mosquitos só picam algumas pessoas?

Sim. E a justificação pode ser genética, diz um estudo recente. Estima-se que todos os anos 725 mil pessoas morram por doenças transmitidas por estes insetos.

Existem mais de 2.500 espécies de mosquitos em todo o mundo, mas a maioria vive das plantas e do néctar da fruta e não incomoda o Homem. Só uma pequena percentagem – as fêmeas de cerca de 6% das espécies – suga o sangue de seres humanos e de animais para desenvolver os seus ovos, iniciando assim o ciclo de vida de um novo mosquito.

O sangue permite que os ovos se transformem em larvas (passam a ter cabeça e corpo) e darão depois origem à pupa (fase em que adquirem a forma de uma vírgula) e posteriormente ao adulto (o inseto como o conhecemos).

Como é que os mosquitos picam os humanos?

Introduzem a probóscide (uma espécie de agulha) na epiderme de forma a encontrar um vaso sanguíneo. A probóscide tem seis agulhas: duas servem para afastar a pele, duas para penetrar a pele, uma para detetar as veias e sugar o sangue e outra para libertar toxinas no nosso corpo, que é o que causa inflamação.

Este processo demora em média quatro minutos, assegura um artigo publicado na revista National Geographic.

O que pode acontecer?

A picada pode deixar apenas uma inflamação que se cura em poucos dias, mas em alguns casos é responsável pela transmissão de doenças que podem ser mortais ou deixar graves sequelas, como a malária, o dengue ou o vírus Zika. A Organização Mundial de Saúde estima que 725 mil pessoas morram todos os anos por doenças transmitidas por estes insetos.

Os mosquitos picam indiscriminadamente?

Não, mas ao contrário do que se pensava, ser mais ou menos vezes picado não tem a ver com os alimentos que se ingere. Quando selecionam as vítimas, os mosquitos – dependendo da sua espécie – têm em conta fatores como o odor corporal e o tipo de sangue. Um grupo de investigadores britânicos concluiu que o Aedes aegypti (responsável pela transmissão da dengue e da febre amarela, entre outras doenças) prefere picar certas pessoas por causa do odor corporal que é definido geneticamente.

Os cientistas pediram a 18 pares de gémeos monozigóticos (idênticos geneticamente) e a 19 de gémeos dizigóticos (não idênticos) que se deixassem picar. Através de dois tubos que permitiam aos animais escolher o braço a picar, os investigadores perceberam que, ao contrário do que acontecia nos gémeos monozigóticos, o nível de atratividade para os mosquitos era muito diferente entre gémeos não idênticos geneticamente.

“Isso sugere que o facto de se ser atraente ou repelente para os mosquitos é controlado geneticamente”, explicou à rádio norte-americana NPR James Logan, investigador principal do projeto e professor da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

O trabalho, publicado em 2015 pela revista científica PLOS ONE, pode contribuir para o desenvolvimento de repelentes mais eficazes e para o estudo da transmissão de seres patogénicos por estes animais. Um dos próximos passos é identificar os genes envolvidos. Mas há mais fatores que fazem com que os mosquitos piquem certas pessoas.

Como detetam os seus alvos através do dióxido carbono emitido, acabam por selecionar as vítimas pela quantidade de gás exalado. Como resultado, estes insetos procuram primeiro as pessoas mais altas e mais volumosas e as mulheres grávidas. Outros estudos dizem também que o tipo de sangue tem influência.

Uma pesquisa publicada na revista Journal of Medical Entomology diz que as pessoas com sangue tipo O têm duas vezes mais probabilidade de serem picadas pelo mosquito Aedes albopictus do que as de tipo A.

Em suma

Os mosquitos selecionam quem picam de acordo com vários critérios. Um dos principais fatores é o odor corporal que é definido geneticamente.

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