Lusiadas.pt | Blog | Prevenção e Estilo de Vida | Nutrição e Dieta | Iodo: qual o seu papel no organismo e como obtê lo
4 min

Iodo: qual o seu papel no organismo e como obtê-lo

A deficiência de iodo é um problema de saúde pública a nível mundial. Saiba qual a sua importância no organismo e como garantir uma ingestão adequada.

O que é?

O iodo é um oligoelemento essencial ao normal funcionamento do organismo. A única forma de o obter é a partir da alimentação, visto que, tal como os restantes minerais, não é produzido pelo corpo.

Cerca de 90% do iodo proveniente da alimentação é absorvido pelo trato gastrointestinal (pelo estômago e intestino delgado). Uma vez na circulação sanguínea, é principalmente captado pela tiroide – glândula localizada na base do pescoço – e excretado pelos rins através da urina. Contudo, o leite materno, o suor e as fezes representam outras vias de eliminação do iodo.

Qual o seu papel no organismo?

Este micronutriente encontra-se maioritariamente armazenado na tiroide onde é utilizado na produção das hormonas tiroideias, nomeadamente a tiroxina (T4) e triiodotironina (T3). Estas hormonas têm um importante papel nos seguintes processos fisiológicos:

  • Crescimento e desenvolvimento dos órgãos – principalmente do cérebro;
  • Controlo dos processos metabólicos do organismo – como a regulação da taxa de metabolismo basal (ou em repouso) e da temperatura corporal.

Qual a dose diária recomendada?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doses diárias recomendadas (DDR) de iodo, de acordo com a faixa etária, são as seguintes:

Qual a dose recomendada de iodo?

Quais as consequências da sua carência?

Dada a sua importância na síntese das hormonas da tiroide e o papel que estas desempenham no metabolismo, a sua carência tem um impacto significativo na saúde.

A deficiência de iodo pode ocorrer em todas as fases da vida humana, desde a vida intrauterina até ao envelhecimento.

Quais os impactos da carência de iodo?

Segundo a OMS, as mulheres grávidas, a amamentar e em idade reprodutiva e as crianças com idade inferior a três anos são os grupos populacionais considerados como apresentando maior risco de deficiência deste micronutriente. Este facto deve-se ao papel crucial que as hormonas da tiroide desempenham no crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso central a partir da 15ª semana de gestação e até aos 3 anos de idade.

Caso haja uma carência durante este período, o desenvolvimento do cérebro e do sistema nervoso central pode ser afetado de forma irreversível. De tal forma que, desde 2013, a Direção-Geral da Saúde recomenda a suplementação para mulheres em fase de preconceção, grávidas e a amamentar e a Direção-Geral da Educação obriga a utilização de sal iodado nas cantinas escolares.

Como é diagnosticada a deficiência?

Devido ao facto de 90% do iodo ingerido ser excretado nas 24 a 48 horas subsequentes, a concentração de iodo na urina é considerada um excelente biomarcador dos níveis de iodo no organismo. Contudo, não é comum avaliar-se o nível de iodo em análises de rotina de um indivíduo. Estas análises utilizam-se sobretudo em estudos que têm como objetivo avaliar a carência deste oligoelemento em populações.

Segundo a OMS, a UNICEF e a International Council for Control of Iodine Deficiency Disorders, a deficiência de iodo é verificada quando a concentração na urina é inferior a 100 µg/l na população em geral e inferior a 150 µg/l em mulheres grávidas.

Globalmente, a deficiência de iodo é uma das principais causas de doenças mentais evitáveis, com mais de 2 biliões de pessoas de 130 países em risco, incluindo 241 milhões de crianças em idade escolar.

Como prevenir a deficiência de iodo?

A OMS recomenda a utilização de sal iodado como principal estratégia a nível mundial para prevenir a deficiência de iodo.

O sal comum não contém iodo naturalmente, sendo-lhe adicionado. Utilizar sal iodado para temperar as refeições é uma prática desejável, uma vez que garante a ingestão deste micronutriente. A utilização de sal iodado pode eliminar a necessidade de suplementação em iodo em mulheres em fase de preconceção, grávidas e a amamentar.

Contudo, tal não significa que se deva aumentar o aporte de sal na alimentação. Se não for utilizado em excesso, o sal iodado é seguro e não produz efeitos adversos. É recomendada substituição do sal comum por sal iodado nas quantidades de sal recomendadas e que não devam ultrapassar os 5 g/dia.

Outras fontes alimentares 

O iodo encontra-se naturalmente presente na água do mar. Por essa razão, o pescado (peixe e marisco) e as algas são considerados importantes fontes de iodo na alimentação.

O leite e os ovos, bem como os seus derivados, são também considerados importantes fontes alimentares de iodo. No entanto, o seu teor em iodo é variável e deve-se, sobretudo, à suplementação das rações dos animais.

Relativamente a outros alimentos, tais como cereais, fruta e legumes, o teor de iodo é variável – depende da quantidade de iodo nos solos. O seu teor nestes alimentos deve-se, em grande medida, ao modo de produção, como a utilização de desinfetantes iodados na indústria alimentar e fertilizantes ricos em iodo na agricultura.

Será necessário suplementação?

O excesso de iodo na alimentação pode também levar a alterações ao normal funcionamento da tiroide – como bócio e hipotiroidismo. Por este motivo, antes de iniciar a toma de qualquer suplemento, consulte o seu médico.

 

Ler mais sobre

Nutrição

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Autoria

Dra. Cristiana Brito

Nutrição Clínica
Clínica de Stº António
PT