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Coronavírus: como gerir os conflitos familiares em isolamento

Com a ajuda de uma psicóloga, definimos algumas regras que se devem cumprir para se conseguir gerir os conflitos numa altura em que não se deve sair de casa. Tome nota.

São as pessoas de quem mais se gosta mas, por isso mesmo, a família pode também ser o núcleo com quem mais se discute.

“Somos tendencialmente mais agressivos, ou passivo-agressivos, para com as pessoas que amamos pois sentimos que existe uma relação forte e estável, que não vai ficar afetada por algumas discussões ou irritabilidades. Sentimo-nos obviamente mais seguros, mais confortáveis e temos mais intimidade para exprimir as nossas emoções e sentimentos”, reconhece Alexandra Rosa, psicóloga do Hospital Lusíadas Lisboa e da Clínica Lusíadas Almada.

Deste ponto de vista, talvez fosse preferível ficarmos confinados com pessoas estranhas. “Com meros conhecidos ou estranhos sentimo-nos mais inibidos, ficamos muito autoconscientes e receosos da imagem que estamos a transmitir, bem como dos juízos que o outro vai emitir sobre nós.”

No entanto, nesta fase de pandemia em que se impõe que fiquemos em casa, é com aqueles que nos são mais próximos que temos de aprender a conviver e a gerir conflitos. Para isso, siga as regras apontadas pela especialista.

Estabelecer limites e defender a privacidade e individualidade

“Quando ficamos confinados em espaços relativamente pequenos, durante um período prolongado de tempo, é importante estabelecer limites e defender de alguma a forma a privacidade e individualidade. É um erro não respeitar e não comunicar essa necessidade aos outros. Esta é uma fase em que não se deve permitir que se instale o caos, sendo importante realizarem-se reuniões familiares regulares, nas quais se definem rotinas, alguns horários, e em que cada elemento manifesta as suas necessidades e dificuldades para que em conjunto se encontrem soluções.”

Manter uma comunicação aberta mas respeitar os silêncios 

“Devemos manter uma comunicação aberta, utilizando vocabulário emocional (estou frustrado, estou zangado, estou irritado… porque…) para que os outros descodifiquem os nossos comportamentos e atitudes, estimulando uma maior compreensão entre todos. Por outro lado, também devemos entender que é natural que o outro necessite de silêncio, de se afastar ou de exprimir alguma emoção menos positiva e respeitar o seu estado emocional.”

Escolher um espaço de trabalho ou estudo para cada um

“Tanto os adultos como as crianças vão escolher uma zona da casa onde seja possível para cada um ter o seu espaço de trabalho ou estudo, onde se possa concentrar nas suas tarefas, sem grandes interrupções. Idealmente esse local deverá reunir condições de conforto e luz natural e proporcionar um mínimo de privacidade e tranquilidade. Por outro lado, cada elemento da família também deverá reservar para si um momento do dia (pelo menos uma hora) para se poder isolar, contactar com amigos ou outros familiares distantes, fazer exercício físico ou simplesmente relaxar.”

Promover a tolerância e entender que não vamos estar sempre bem

“Temos de estar conscientes de que nos encontramos a viver momentos excepcionais e emocionalmente desafiantes, sendo compreensível que por vezes nos sintamos sobrecarregados e consequentemente surjam algumas reações inesperadas. Devemos promover diariamente a tolerância entre todos e, de forma realista, entender que não vamos estar sempre bem. Vamos sentir, em alguns momentos, alguma tristeza, ansiedade, apatia, irritabilidade. Temos de viver o momento, devemos dar significado a cada dia, mantermo-nos ativos, produtivos, em contacto com o mundo lá fora e utilizar o bom humor como uma ferramenta muito poderosa para lidar com adversidades. Acima de tudo lembrarmo-nos que todos os momentos na vida passam e este também irá um dia terminar.”

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Alexandra Rosa

Psicologia
Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica Lusíadas Almada
PT