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Depressão: Mitos e Verdades

Colaboração
A Depressão é uma doença frequente, considerada como um problema de saúde urgente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo impacto funcional, social e económico para os doentes e os seus cuidadores. Leia o artigo completo e compreenda melhor alguns mitos e verdades sobre a Depressão.

Verdade ou mito?

1. Pessoas com Depressão não conseguem ser funcionais. Mito.

Apesar dos desafios, muitos doentes continuam a trabalhar, estudar e a cumprir as suas responsabilidades. Contudo, sintomas como a falta de energia, cansaço extremo e dificuldades de concentração tornam mais difícil a realização de tarefas.

2. A depressão não é uma doença. Mito.

A Depressão é uma doença psiquiátrica frequente, com uma origem multifatorial e critérios de diagnóstico definidos. Estima-se que 15% da população desenvolva Depressão em algum momento da sua vida.

3. Os antidepressivos viciam. Mito.

Os antidepressivos não causam dependência.

É verdade que podem surgir sintomas de descontinuação da medicação em alguns doentes, sendo mais frequentes com determinados antidepressivos. No entanto, não existe um comportamento de procura compulsiva, perda de controlo sobre o uso ou efeito de tolerância (necessidade de doses crescentes para obtenção do mesmo efeito).

A suspensão de tratamento com antidepressivos, quando realizado de forma adequada, sob orientação médica, é possível.

4.  A pílula causa depressão. Sim, mas...

A pílula pode desencadear ou agravar sintomas depressivos em algumas mulheres. Este risco é maior em adolescentes e mulheres jovens. 
Ainda assim, é importante destacar que o número de mulheres afetadas é reduzido: 2,2 em cada 100 mulheres que tomam a pílula desenvolvem Depressão, em comparação com 1,7 em cada 100 mulheres que não tomam.

5. A Depressão só acontece a quem tem/teve problemas graves. Mito.

A Depressão pode surgir na ausência de acontecimentos graves.

Embora situações de extrema ansiedade sejam um conhecido fator de risco para o início de uma Depressão, existem fatores biológicos ou genéticos que podem levar à doença. Por exemplo, existem patologias da tiroide que se manifestam através de sintomas depressivos.

6. As crianças não ficam deprimidas. Mito.

A Depressão não afeta apenas adultos. Crianças e jovens também podem ficar deprimidos. Nestas idades, a Depressão manifesta-se, muitas vezes, através de alterações do comportamento, dificuldades escolares ou até por uma maior frequência de sintomas físicos, como dores de cabeça ou de estômago.

7. Se a pessoa se ri e diverte, é porque não está deprimida. Mito.

Alguns doentes, apesar de deprimidos, mantêm a capacidade de sorrir e uma aparência de felicidade que oculta a sua dor. Esta é uma característica de um subtipo de Depressão: a Depressão atípica.
A felicidade aparente destes doentes pode levar a uma minimização do seu sofrimento e ao atraso na procura de ajuda.  

8. A depressão passa com o tempo. Mito.

Sem tratamento adequado, a Depressão pode durar meses a anos, agravar e recidivar com maior frequência. A Depressão não escolhe idades ou momentos, mas o seu tratamento deve ocorrer o mais cedo possível para o bem-estar do doente e de quem o rodeia.

9. Falar sobre suicídio “dá ideias”. Mito.

Não, não se incentiva o suicídio por se falar com alguém sobre o assunto.
Na verdade, é importante falarmos sobre o estado emocional para reduzir a ideação suicida, aliviar o sofrimento e promover a procura de apoio. A ajuda existe e está tão perto quanto o número 1411, contacto da Linha de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico.

Então, o que é a Depressão?

A Depressão caracteriza-se por um estado de tristeza ou perda de prazer ou interesse nas atividades habituais, durante um período de pelo menos 2 semanas, com um impacto significativo no funcionamento da pessoa. Outros sintomas habitualmente presentes são alterações do sono ou do apetite, dificuldades de concentração, diminuição da energia e da atividade, entre outros.

Pedir ajuda é o primeiro passo para uma vida com mais qualidade. 
No Hospital Lusíadas Alfragide, disponibilizamos abordagens terapêuticas baseadas na evidência, centradas no bem-estar e na dignidade do doente, para que se sinta acompanhado em todas as fases do seu percurso. Não adie mais o cuidado.

 

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Revisão Científica

Dra. Margarida Alves

Dra. Margarida Alves

Hospital Lusíadas Alfragide

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