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É mesmo saudável reunir a família

Desde os primeiros batimentos cardíacos, é na vinculação com os pais que construímos o primeiro padrão de segurança. Até à idade adulta desenvolvemos e vincamos a nossa personalidade. E, do princípio ao fim, por mais abrangentes e diversificadas que sejam as nossas experiências, há um elemento agregador que nos devolve o sentimento de pertença e identidade: a família.

Sejam numerosas ou com poucos membros, a família marca as vidas dos seus elementos. Sensações, memórias, perturbações e conflitos, desejos satisfeitos ou por satisfazer, alegrias, estímulos, triunfos, angústias, sonhos, tudo pode girar em torno do universo familiar.

Significa que a união familiar ou a sua falta desempenha um papel fundamental na construção. “Um por todos, todos por um”, o lema dos três mosqueteiros, pode ser um bom ponto de partida para entendermos a importância de reunir a família. Mais que juntá-la, é crucial uni-la, seja qual for o pretexto para o fazermos.

Criar laços terapêuticos

As reuniões familiares podem ter um efeito terapêutico para os mais novos e para os mais velhos. Mantêm abertas as linhas de comunicação, reforçam os laços entre todos e dão uma noção de continuidade e renovação. Os mais velhos deixam-se conquistar pelos risos dos mais pequenos e, muitas vezes, quebram rotinas de vidas solitárias.

Mas também eles são inspiradores, pelo seu percurso pessoal e pelo reforço positivo que dão a crianças e adolescentes. No entanto, as reuniões familiares também têm um potencial de conflito.

Os filtros sociais que aligeiram muitas das relações tendem a ser postos de lado na segurança da família. Mas também por isso os encontros familiares podem ser tão ricos, ensinando a gerir conflitos e reforçando o espaço de liberdade em que as partes podem expor e partilhar livremente os pensamentos, como defende a investigadora Amy Griswold da Universidade do Illinois, EUA.

A importância dos rituais familiares

Datas festivas, como aniversários ou o Natal, são os momentos mais óbvios para as reuniões familiares e são muito relevantes na construção de laços familiares fortes, ao longo de gerações, como mostram diversos estudos. Amy Griswold defende que manter as tradições em dias festivos, mas também no quotidiano, ajuda a ensinar aos mais novos as coisas que a sua família valoriza.

As tradições podem ser histórias que já o bisavô contava, a receita de um bolo muito especial, assim como certas crenças, rituais e costumes que são passadas de geração em geração e respondem à necessidade de pertença e reforçam a coesão familiar.

Organizar encontros e atividades

Muitas vezes somos absorvidos pela rotina, no entanto, há formas simples de quebrarmos a falta de iniciativa. Pode-se por exemplo decidir que todos os meses há um encontro e ir rodando o organizador.

Deste modo, todos se sentem mais empenhados nos encontros e é uma forma de variarem mais. Piqueniques, concertos, peças de teatro, passeios no jardim, jogos tradicionais, atividades radicais, visitas a museus, tertúlias, não faltam hipóteses de juntar a família.

Partilhar as refeições em família à mesa

As refeições em família, mesmo que aconteçam poucas vezes por semana, ajudam à apreensão de padrões de organização e disciplina e favorecem bons hábitos alimentares. Desde logo, o consumo de frutas e legumes, que por recomendação da Organização Mundial da Saúde deve ser de 400 gramas diários.

A opinião dos especialistas é confirmada num estudo do “Journal of Epidemiology & Community Health”, que incluiu 2.389 crianças de 52 escolas primárias da área metropolitana de Londres. Investigadores da Universidade de Leeds concluíram, por exemplo, que o facto de os pais cortarem porções de fruta e vegetais para os filhos contribui para o aumento do consumo destes alimentos.

Além da saúde, as refeições em conjunto têm mais benefícios: são uma excelente oportunidade para se conversar sobre tudo, olhos nos olhos, com atenção às mínimas expressões. E a ocasião pode também ser a ideal para se planearem novas refeições, alimentado assim a cadeia dos encontros à mesa.

Cozinhar em conjunto

No cardápio dos benefícios gastronómicos podem incluir-se os encontros na cozinha. Um estudo da Universidade de Alberta, do Canadá, publicado na revista “Public Health Nutrition” concluiu que os alunos que ajudam os pais na cozinha têm preferência pelo consumo de frutas e verduras.

Cozinhar com as crianças fortalece a educação alimentar, com diversão à mistura, e desenvolve competências imprescindíveis à adoção de comportamentos alimentares saudáveis e seguros. Nestes momentos joga-se a importante luta contra a obesidade infantil, que pais, tios ou avós devem ajudar a prevenir.

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