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Como a fisioterapia pode ajudar depois de um cancro

A fisioterapia no contexto oncológico é especialmente importante nas áreas do cancro da mama, entre outras. Fique a saber mais.

Após o tratamento do cancro segue-se uma fase em que a fisioterapia tem um papel muito importante para ajudar a diminuir a dor nas cicatrizes e nas contraturas e para ajudar as pessoas a recuperar uma normalidade no seu quotidiano quando é necessário o uso de próteses, explica a médica Anabela Marques, coordenadora da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Lusíadas Porto. Segundo esta especialista, o exercício físico ao longo da vida e após os tratamentos do cancro também tem um papel muito importante no bem-estar e na recuperação da autoestima.

Qual é a importância da fisioterapia após o tratamento oncológico?

A fisioterapia tem um papel preponderante no tratamento oncológico já que incide na melhoria da qualidade de vida da pessoa. Por um lado, pode contribuir para a analgesia da área envolvida, ou seja, a perda da dor nas cicatrizes cirúrgicas. Por outro, promove a recuperação da função do membro afetado, recuperação das amplitudes e trofismo muscular de uma articulação envolvente; melhora a autoestima, ajudando a pessoa a recuperar a função de um membro na execução das atividades de vida diária. A fisioterapia já está incluída no protocolo de tratamentos do doente oncológico.

Quais os tipos de fisioterapia que existem?

O cancro e as suas terapêuticas, como a quimioterapia e a radioterapia, determinam um grande número de problemas com graus variados de incapacidade. Dependendo dos vários tipos de cancro, são aplicados tipos diferentes de tratamentos de fisioterapia:

  • Cancro da mama

No cancro da mama, a mastectomia pode provocar cicatrizes dolorosas, alterações da postura, limitação da amplitude articular, dor no ombro homolateral e linfedema do membro superior homolateral – devido à remoção de gânglios linfáticos o braço afetado acumula linfa, ou seja, líquido que circula nos vasos linfáticos. O tratamento no contexto da fisioterapia vai servir para corrigir a postura, restabelecer a mobilidade e o trofismo muscular no ombro afetado, aliviar a dor nas cicatrizes e fazer a drenagem da linfa do membro caso haja linfedema. Além disso, tem o papel de ajudar a pessoa a restabelecer as atividades normais da vida diária.

  • Cancros dos ossos nas extremidades dos membros

Estes cancros podem levar a que seja necessária a amputação de membros. Aqui, a fisioterapia tem um papel importante na reabilitação durante dois momentos. O trabalho inicia-se antes da cirurgia, quando se prepara a pessoa para a amputação, explicando os tipos de próteses que existem para substituição do membro; se treina a correção postural e o fortalecimento muscular e a marcha com canadianas nos casos de amputações de membros inferiores. No caso da amputação do membro superior é necessário treinar o outro membro para reaprender atividades fundamentais da vida diária, sendo depois mais fácil a adaptação. No pós-operatório prossegue-se o programa iniciado, faz-se a preparação para a receção da prótese, inicia-se o mais precocemente possível o treino com a prótese provisória e a adaptação à prótese definitiva com o treino das atividades da vida diária.

  • Outros cancros

Pode realizar-se o tratamento de cicatrizes dolorosas, o que ajuda a aliviar a dor.

Como é que se trata as cicatrizes que provocam dor?

Com laser, correntes analgésicas e massagem. O laser promove a analgesia e diminuição da inflamação local, as correntes promovem a analgesia local e a massagem ajuda a melhorar a elasticidade da cicatriz e dessensibiliza a cicatriz, diminuindo a dor.

Qual a ligação entre o exercício físico e a sobrevivência ao cancro?

O exercício ao longo da vida aumenta as defesas imunitárias. Promove a estimulação da circulação sanguínea e um aumento da capacidade de extração das toxinas. A estimulação da imunidade é importante para o sistema imunitário destruir as células cancerígenas que vão surgindo ao longo da vida. Após um cancro, o exercício físico também ajuda a melhorar a condição física e mental, proporcionando uma maior sensação de bem-estar. Durante o exercício físico existe a produção de endorfinas que ajudam a melhorar o humor e a autoestima. A estimulação do sistema imunitário também tem um papel importante no aumento da capacidade física de combate ao cancro. 

Quais as limitações à prática de exercício físico?

A pessoa não deve realizar exercício físico além das necessidades da vida diária enquanto estiver a fazer quimioterapia. Como há uma atrofia muscular e um cansaço generalizado, terá de se restabelecer progressivamente e começar lentamente a fazer os exercícios apropriados à sua capacidade física e aferição destes à sua condição cardíaca.

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Revisão Científica

Dra. Anabela Marques

Coordenador da Unidade de Medicina Física e de Reabilitação / Fisiatria

Medicina Física e de Reabilitação / Fisiatria
Hospital Lusíadas Porto
PT