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A importância do diagnóstico do VIH

Em Portugal, o número de novos casos de SIDA/VIH tem vindo a diminuir. A melhor forma de lutar contra este vírus é a informação sobre como evitar e como tratar. Inês Vaz Pinto, especialista em Medicina Interna e responsável pela consulta VIH no Hospital de Cascais, esclarece algumas dúvidas.

Em 2020, Portugal poderá ser um dos países em que a doença não será mais uma ameaça à saúde pública. A informação sobre a origem e formas de prevenir a doença, assim como o diagnóstico do VIH precoce têm sido ferramentas essenciais para este sucesso.

 

O que é a SIDA?

A SIDA, ou Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença infeciosa causada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) que enfraquece o sistema imunitário do organismo, destruindo a capacidade de defesa em relação a muitas doenças. O VIH pode ficar incubado no corpo humano por tempo indeterminado sem que se manifeste por quaisquer sintomas. Quando uma pessoa está infetada com o VIH diz-se que é seropositiva e ela pode não apresentar sinais da doença durante vários anos. No entanto, como está infetada, poderá transmitir o vírus  a outra pessoa durante todo esse tempo - daí a importância do diagnóstico do VIH.

Como se transmite o vírus VIH/SIDA?

  • Transmissão sexual: através do sémen e fluidos vaginais;
  • Através do sangue e do leite materno;
  • O vírus pode ainda ser transmitido durante a gravidez, o parto ou, ainda, através da amamentação.

Como NÃO se transmite o vírus VIH/SIDA?

Não se transmite pelo ar nem penetra no organismo através da pele, precisando de uma ferida ou de um corte para penetrar no organismo; A quantidade presente nas lágrimas, no suor e na saliva de uma pessoa infetada é demasiado pequena para conseguir transmitir a infeção; Atualmente, a transmissão por transfusão de sangue ou de produtos derivados do sangue apresenta poucos riscos, uma vez que são feitos testes a todos os dadores.

SIDA em 2020: diagnóstico do VIH a 90% das pessoas infectadas

A Organização Mundial de Saúde estabeleceu como objetivo para o ano de 2020 que 90 por cento das pessoas infetadas pelo VIH estejam diagnosticadas”, lembra Inês Vaz Pinto, especialista em Medicina Interna e responsável pela consulta VIH no Hospital de Cascais. No entanto, apesar dos resultados positivos em Portugal, estima-se que ainda não estejam diagnosticados cerca de 30 por cento dos doentes. Além disso, “cerca de 50 por cento dos novos diagnósticos da infeção VIH são considerados tardios, isto é, realizados em fases avançadas da doença”, acrescenta a médica.

SIDA/VIH: não viver na ignorância

A consulta de VIH do Hospital de Cascais comemora 20 anos de existência em 2015 e, não só tem apostado na educação como forma de combate à doença como, desde a sua criação, tem vindo a estabelecer protocolos com diversas entidades ligadas ao VIH e com os estabelecimentos prisionais do concelho, de forma a melhorar o acesso aos medicamentos dos doentes infetados. Juntamente com a associação Ser + – Associação Portuguesa para a Prevenção e Desafio à SIDA, tem conseguido ajudar os doentes mais carenciados, que desde outubro de 2015 podem receber também os medicamentos em casa, sem necessidade de se deslocarem ao hospital. No entanto, isso não é tudo. “É igualmente importante que os próprios médicos estejam sensibilizados para a importância da realização do teste”, acrescenta Inês Vaz Pinto. A especialista sabe que este é um tema ainda muito sensível mas que “o teste VIH não é um bicho-de-sete-cabeças e que é melhor saber o diagnóstico do que viver na ignorância”.

Dados importantes

Os números revelados pela Unidade de Referência e Vigilância Epidemiológica (DDI-URVE) do Instituto Nacional Saúde revelaram que, entre 1983 e 2013, foram identificados 48657 casos de infeção por VIH, um decréscimo de novos casos desde o ano de 2000. E por isso, é possível ler-se no relatório: “Neste contexto, não é utópico pensar que, em 2030, Portugal também poderá ser um país sem SIDA, em termos de ameaça à saúde pública. Afirmá-lo não significa esque­cer o caminho que ainda falta percorrer, as dificulda­des a ultrapassar e as medidas que serão necessárias introduzir que, tal como outras já implementadas, terão que satisfazer duas condições: fazer melhor e fazer diferente. Ambas são indissociáveis e a ausência de qualquer uma inviabilizará o objetivo final.”

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