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Vencer a dor

A dor pode ser um sintoma de uma doença e a sua duração tende a ser limitada. Mas nem sempre é assim. Pode tornar-se crónica e deixar de ser um sintoma passando a ser, ela própria, uma doença.

Dor aguda é aquela que se manifesta como sintoma de uma doença. É um alerta do organismo para algo que não está bem. E nessa perspetiva, a dor tem uma função útil e o seu aparecimento tem algo de positivo. Mas quando a causa da dor já está claramente identificada, a sua função desaparece e há que atenuá-la, tendo em conta o sofrimento que gera no doente.Mas há dores que não passam.

Que se tornam mais ou menos persistentes, mas estão sempre lá. Não são funcionais, nem sequer são sintomas de algo errado. São já, elas próprias, uma doença. Falamos da dor crónica. "Se não é possível diagnosticar a causa ou, mesmo quando diagnosticada, não estiver ao nosso alcance eliminá-la, a dor persiste e, dependendo da sua localização e do tipo de estruturas envolvidas, pode ser difícil obter o seu alívio", confirma José Manuel Caseiro, coordenador da Unidade de Tratamento de Dor do Hospital Lusíadas Lisboa.

Na evolução da dor crónica intervêm fatores de grande complexidade, como os fatores emocionais, os neuroendócrinos ou até os psicológicos, determinando diferentes níveis de sofrimento e impossibilitando que a simples prescrição de analgésicos possa resolver o problema. "A abordagem deste tipo de dor deverá, por isso mesmo, ser multidisciplinar. O doente é tratado como um todo e a intervenção decorre a vários níveis: físico, emocional, psicológico, etc.", explica José Caseiro.

Mas realça este especialista que "a dor nunca é aceitável", considerando que "é um dever ético tratar a dor enquanto forma de aliviar o sofrimento humano". De uma forma geral, todos os clínicos estão preparados para fazer uma abordagem inicia à dor, mas à medida que esta evoluiu e se torna mais difícil lidar com ela, o doente deve ser encaminhado para a Unidade de Tratamento de Dor, alega o especialista, salientando que "a dor diminui o ser humano, condiciona a qualidade de vida e interfere nas relações pessoais do doente, afetando familiares e amigos".

Entre as técnicas mais modernas e eficazes no tratamento da dor crónica estão os bloqueios anestésicos diagnósticos ou terapêuticos, os tratamentos com radiofrequência, a implantação subcutânea de bombas infusoras de medicamentos ou a implantação de neuroestimuladores. Todas elas estão disponíveis na Unidade de Tratamento da Dor do Hospital Lusíadas Lisboa, que tem também uma consulta exclusivamente para cefaleias.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. José Manuel Caseiro

Anestesiologia
Hospital Lusíadas Lisboa
PT