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Cuidados paliativos: promover o alívio do sofrimento e a dignidade da pessoa

Colaboração
Os cuidados paliativos são fundamentais para promover a qualidade de vida do doente, a sua autonomia e dignidade, tendo como objetivos: o alívio dos sintomas físicos, o apoio psicossocial e espiritual, e ainda o apoio à família.

Há doenças crónicas avançadas com um prognóstico de vida limitado, que geram contextos de sofrimento muito grande (físico, psicossocial e espiritual) e que, por isso, exigem atenção com contornos muito específicos. 

É destas circunstâncias e consequentes necessidades que surgem os cuidados paliativos: “Têm como objetivo melhorar a qualidade de vida dos doentes e promover a sua autonomia e dignidade, no contexto de uma doença crónica avançada e de prognóstico vital limitado”, explica Abel Garcia Abejas, especialista em Medicina Geral e Familiar e com a competência à Ordem em Cuidados Paliativos no Hospital Lusíadas Lisboa

Têm como propósito: alívio dos sintomas;, apoio emocional, psicológico e espiritual; e ainda apoio à família. 

Benefícios específicos dos cuidados paliativos

Abel Garcia Abejas indica três grupos de benefícios dos cuidados paliativos, que impactam o bem-estar da pessoa em todas as suas dimensões. 

1. Controlo de sintomas de alta complexidade como: 

  • Físicos: dor, náuseas e vómitos, delírio, agitação, cansaço, anorexia, falta de ar;
  • Psicológicos: depressão, antecipação do luto;
  • Sociais: perda da imagem e da autonomia social, desestruturação da rede de suporte social;
  • Espirituais: desesperança, perda do sentido vital, terapia da dignidade.

2. Resolução de conflitos éticos em fim de vida;
3. Ajuda na tomada de decisões e na planificação antecipada de cuidados.

Quando são necessários os cuidados paliativos?

Os cuidados paliativos são uma área médica transdisciplinar e multidisciplinar, que dá apoio na doença crónica avançada nas suas diferentes fases. Desta forma, distingue o especialista, “podemos diferenciar três grandes momentos que são muito específicos” e que — ainda que pouco claros na sociedade geral e médica, considera — têm “atitudes e objetivos bem definidos”.

  • Abordagem paliativa: quando o prognóstico vital se prevê superior a um ano;
  • Cuidados em fim de vida: quando o diagnóstico previsto é de um ano ou inferior;
  • Cuidados terminais: referem-se aos cuidados no último mês, semanas, de vida. 

A importância das equipas multidisciplinares

“As equipas de cuidados paliativos são multidisciplinares e promovem a comunicação interdisciplinar e a escuta ativa”, começa por frisar o especialista. Esta sinergia é fundamental, visando “humanizar o processo de cronicidade, envelhecimento e deterioração cognitiva, assim como os cuidados no contexto de doença oncológica.”

Garantindo um apoio diferenciado no internamento, consultas externas e apoio ao domicílio (onde se incluem o recurso à teleconsulta e videoconsulta), estas equipas incluem, tal como o nome indica, especialistas de diversas áreas: “A Medicina Interna, Oncologia, Cirurgia Geral e Neurologia são as mais frequentes, sendo que há outras especialidades responsáveis pela referenciação dos doentes em fase avançada de doença.” 

De acordo com Abel Garcia Abejas, esta equipa multidisciplinar “atua em estreita articulação com as equipas comunitárias”, o que vem assegurar “uma melhor continuidade dos cuidados.”

Além de tudo isto, existem ainda outros instrumentos de que as famílias podem beneficiar e que garantem um contacto “direto e próximo” entre todos. É o caso da consulta “conferência familiar”, “que tem o objetivo de garantir a gestão de expectativas e a resolução de conflitos, normais nesta fase da vida dos doentes e das suas famílias.”

Como funcionam os cuidados paliativos

Os cuidados paliativos podem ser prestados em regime de internamento ou ao domicílio. “No internamento damos apoio às diferentes equipas envolvidas nos cuidados (quer médicas, quer de enfermagem), na gestão de sintomas, expectativas e desejos do doente e da sua família”, explica Abel Garcia Abejas. 

Ao domicílio existe sempre uma “monitorização próxima dos doentes”, que acontece “mediante as diferentes técnicas de telemedicina.”

A boa articulação entre o doente e as equipas é fundamental, sendo também possível a criação de uma via verde para uma entrada célere na Unidade de Atendimento Urgente do hospital quando necessário.


Vantagens da integração precoce 

Enfrentar o contexto clínico que irá ditar o término de vida — e todas as vicissitudes inerentes a esta consciência — tem consequências que vão muito além da componente física: “Não só ameaça a vida dos doentes, como altera a dinâmica e o quotidiano das suas famílias.”

Por isso, de forma a minimizar este impacto, é importante ter em mente que cuidados paliativos não cuidam do doente apenas no momento próximo do fim. Pela alteração na rotina da pessoa e da família, o especialista indica que é desejável uma integração precoce, denominada de “Early Palliative Care”. 

Para Abel Garcia Abejas, esta abordagem de integração precoce é “desejável”, por vários motivos: “Melhora a prevenção e o alívio do sofrimento, promove a dignidade da pessoa, facilitando ainda a planificação antecipada de cuidados por via de um processo dinâmico de tomada de decisões partilhadas.”

Física, psicossocial, emocional e espiritual, a integração precoce dos cuidados paliativos “permite ainda uma melhor abordagem, centrada na pessoa, na sua narrativa, nos seus desejos e preferências.”

Por tudo isto, além da minimização e controlo da dor física associada à doença e ao estado da doença, promove a dignidade humana e melhora a esperança de vida. “Os cuidados paliativos não são, portanto, um recurso subsidiário aos cuidados curativos e devem ser integrados desde o início do diagnóstico e até o final da vida, onde ganham um maior protagonismo.”

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Revisão Científica

Dr. Abel Garcia Abejas

Coordenador da Unidade de Cuidados Paliativos

Hospital Lusíadas Lisboa

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