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Insuficiência cardíaca: sintomas, causas e tratamento

Há várias doenças que debilitam o tecido cardíaco pondo em causa o seu funcionamento. A falta de ar, a fadiga e membros inferiores inchados são sinais desta doença que costuma afetar as pessoas mais idosas.

Estima-se que em todo o mundo mais de 25 milhões de pessoas sejam afetadas pela insuficiência cardíaca, uma doença que resulta normalmente de problemas de saúde prévios e é caracterizada por uma baixa performance do coração, que compromete a sua função de bomba do sistema circulatório e adequada perfusão sanguínea dos diferentes órgãos e sistemas.

A insuficiência cardíaca é predominante nos idosos, atingindo cerca de 10% da população com mais de 70 anos. Uma estimava feita para Portugal em 2018 contabilizou 380.000 pessoas com insuficiência cardíaca, refere Nuno Antunes, médico cardiologista do Hospital Lusíadas Braga. “Atendendo ao envelhecimento da população, as projeções apontam para o crescimento deste número nas próximas décadas.”

O que é a insuficiência cardíaca

Esta doença surge quando a contração ou relaxamento do coração não são eficazes, o que faz com que não haja sangue suficiente a ser bombeado para fora do coração.

O coração é uma bomba de sangue com um ritmo contínuo de batimentos, que são compostos pela diástole e a sístole. A diástole é a fase do ciclo cardíaco em que os ventrículos relaxam, deixando entrar o sangue que chega ao coração. A sístole é quando o músculo contrai e as cavidades do coração (chamadas ventrículos), ao realizarem a contração, injetam o sangue na circulação: do ventrículo direito para a circulação pulmonar e do ventrículo esquerdo para a circulação sistémica que fornece sangue a todo o corpo.

No caso da insuficiência cardíaca, o coração pode não contrair com a força adequada, e então não é libertado todo o sangue que deveria chegar aos pulmões e ao resto do corpo. Ou, por outro lado, pode não relaxar de forma eficaz, impedindo que entre todo o sangue que deveria entrar nas cavidades do coração. 

Esta dificuldade do coração acaba por trazer consequências para os tecidos e os órgãos. “A incapacidade de o coração bombear sangue de forma adequada traduz-se na acumulação de líquido no pulmão e membros inferiores, bem como por um fornecimento inadequado de sangue aos diferentes órgãos, que em virtude disto podem também sofrer lesão progressiva e desenvolver disfunção, nomeadamente o rim”, explica Nuno Antunes.

Sintomas da doença 

A falta de ar, a fadiga e os edemas dos membros inferiores (retenção de líquidos nas pernas e pés) são os sintomas mais importantes da insuficiência cardíaca. Mas a doença é progressiva. O corpo começa por reagir com estratégias para colmatar a deficiência. 

“Nas fases iniciais da insuficiência cardíaca surge um conjunto de compensações transitórias, nomeadamente com um aumento da frequência cardíaca, dilatação das cavidades cardíacas, bem como da regulação do sistema nervoso autónomo e do sistema endócrino. Porém, com o evoluir do quadro estas respostas acabam por se tornar prejudiciais”, descreve o cardiologista. 

A falta de ar, que surge inicialmente com a realização de esforços, vai progredindo no decorrer da doença. A pessoa acaba por sentir falta de ar em situações cada vez mais simples como vestir-se e até quando está deitada. 

Tipos de insuficiência cardíaca 

Há diferentes formas de classificar os tipos de insuficiência cardíaca. Esta pode ser de fração de ejeção reduzida, quando há um comprometimento da capacidade de contração do músculo cardíaco, ou pode ser de fração de ejeção preservada, quando o músculo não consegue relaxar o suficiente para acomodar o sangue que regressa da circulação.

Por outro lado, a doença pode afetar predominantemente o lado esquerdo ou direito do coração, o que vai produzir efeitos diferentes. “Na primeira, predominam as queixas de dispneia e os sinais de acumulação de líquidos nos pulmões. Na segunda, dominam sinais e sintomas como os edemas dos membros inferiores”, descreve Nuno Antunes.

Finalmente, a insuficiência cardíaca pode ser crónica, se acontecer ao longo do tempo e for progressiva, ou pode ser aguda “quando os sintomas se apresentam de forma súbita”, explica o médico.

Causas da insuficiência cardíaca  

Há várias doenças e hábitos que causam a insuficiência cardíaca: a hipertensão arterial, a doença coronária, doenças hereditárias do músculo cardíaco e outros problemas de saúde. Todas estas patologias acabam por danificar o funcionamento do coração, que perde capacidades de bombeamento sanguíneo. “Em Portugal, as causas mais frequentes de insuficiência cardíaca são a cardiopatia hipertensiva e a doença coronária”, adverte o cardiologista.

Tratamentos

O tratamento da insuficiência cardíaca pode abordar vários aspetos relacionados com a doença.

Existe, por um lado, a medicação, que tem vindo a evoluir “com o surgimento progressivo de novas classes de fármacos que permitem não só melhorar a qualidade de vida, mas também o prognóstico e sobrevida dos doentes”, explica o cardiologista. Mas há também medidas que passam por procedimentos invasivos. 

No caso dos doentes com doença coronária – quando placas de aterosclerose se acumulam nas artérias coronárias prejudicando o fluxo sanguíneo que chega aos próprios tecidos do coração –, é possível realizar uma revascularização do músculo cardíaco através de cateterismo ou realizando uma cirurgia cardíaca. 

Outro componente do tratamento passa pela implantação de dispositivos cardíacos, terapêutica de ressincronização cardíaca e cardiodesfibrilhadores implantáveis, “para melhorar a função cardíaca e prevenir a morte súbita nos casos mais graves”, acrescenta Nuno Antunes.

“Outro componente importante na melhoria dos sintomas e qualidade de vida de subgrupos destes doentes são os programas de reabilitação cardíaca, que consistem em programas de exercício adaptado, realizados sob vigilância e orientação conjunta das especialidades de Cardiologia e de Medicina Física e de Reabilitação”, conclui o especialista.

E é possível evitar a insuficiência cardíaca? Sim, diz Nuno Antunes: “Sendo a maioria dos casos resultado do efeito negativo dos fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, hipercolesterolemia, tabagismo), a sua prevenção passa pela vigilância e controlo rigoroso destes fatores de risco de forma precoce desde a sua deteção.” Há três recomendações nesse sentido: cuidados alimentares, exercício físico e a medicação indicada.

Em suma

Há várias patologias que podem ter consequências negativas para o coração dando origem à insuficiência cardíaca, que está especialmente associada à população com mais de 70 anos. No entanto, um estilo de vida cuidado pode fazer muito para evitar esta doença, que a longo prazo, se não for tratada, deixa os doentes muito debilitados. A medicação, a reabilitação física e, nos casos indicados, alguns procedimentos invasivos e dispositivos cardíacos são intervenções que melhoram a qualidade de vida das pessoas.
 

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Nuno Antunes

Cardiologia
Hospital Lusíadas Braga
PT