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Vulvovaginites: tipos, sintomas e tratamentos

Por ter várias origens, é difícil encontrar uma definição fechada. O diagnóstico correto é o primeiro passo para tratar o problema.

As vulvovaginites são inflamações ou infeções da região da vulva e da vagina que afetam muitas mulheres ao longo da vida. Por terem várias origens, desde causas infeciosas a hormonais, “não há nenhuma definição boa” para estas condições, explica Pedro Vieira Baptista, ginecologista e obstetra do Hospital Lusíadas Porto. Ainda assim, o mais importante, assegura o médico, é “um diagnóstico adequado”, de modo a que se trate o problema com precisão.
 

O que são vulvovaginites?

A partir da puberdade, os estrogénios desencadeiam um aumento das camadas celulares da mucosa vaginal e estas tornam-se ricas em glicogénio. E este glicogénio está associado ao desenvolvimento de uma flora vaginal saudável que, no caso dos humanos, é composta sobretudo por lactobacilos.
 
As vulvovaginites traduzem habitualmente desequilíbrios da flora vaginal e podem apresentar-se como uma inflamação, uma infeção ou ainda as duas combinadas. Entre as causas, pode estar uma alteração hormonal (muitas vezes associada à menopausa, amamentação, medicação usada no tratamento do cancro da mama, etc.), irritação provocada pelo contacto com objetos ou substâncias, podendo ainda ter origem numa variedade de microrganismos.
 

Principais quadros infeciosos ou de desequilíbrio da flora vaginal 
 

Candidíase 

Causada por um fungo (uma levedura do género Candida), que em 10-20% das mulheres coloniza a mucosa vaginal. A espécie que mais frequentemente causa candidíase é a Candida albicans — estando, mais raramente, envolvidas espécies como a Candida glabrata, que não responde aos tratamentos mais comuns. Entre 5 a 10% da população feminina desenvolve doença recorrente.
Normalmente, as mulheres apresentam os principais sintomas na vulva, mas têm que ser tratadas também a nível da vagina.


Tricomoníase

É uma infeção de transmissão sexual, causada por um parasita flagelado, chamado Trichomonas vaginalis. Facilita a infeção por HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e HPV (Vírus do Papiloma Humano). Contrariamente aos outros quadros, deve ser sempre tratada, assim como todos os parceiros sexuais.


Vaginose bacteriana 

Surge quando os lactobacilos são substituídos por bactérias anaeróbias. Este quadro é habitualmente assintomático. Quando sintomático, pode manifestar-se por corrimento com um cheiro fétido, ardor vulvar e desconforto urinário. 


Vaginose citolítica

Ocorre quando há excesso de lactobacilos e destruição das células do epitélio vaginal. Quando não há destruição celular, o excesso de lactobacilos denomina-se lactobacilose. Estes quadros cursam com ardor e prurido, corrimento branco e abundante, sendo habitualmente confundidos com candidíase.
 

Sintomas e diagnóstico das infeções 

Os sintomas das vulvovaginites incluem corrimento, que pode ser de várias cores (tendo por vezes um cheiro intenso), prurido, ardor vulvar, ardor ao urinar, dor/desconforto durante as relações sexuais. No entanto, por vezes as infeções são assintomáticas.
 
Como geralmente os sintomas são inespecíficos, o médico deve fazer um diagnóstico a partir de uma análise microscópica do corrimento. “Permite ver o estado hormonal. Avalia-se a quantidade de lactobacilos, avalia-se a existência inflamação, se há fungos e as suas características”, descreve Pedro Vieira Baptista.
 
No caso de a infeção ser causada por um fungo que não está a ter uma resposta positiva ao tratamento, então é importante identificar a espécie, através de uma cultura. De acordo com o ginecologista, “nos casos complicados, em que a infeção é recorrente, em que não responde ao tratamento, aí queremos saber qual é a espécie do fungo” que está na origem da infeção.
 
Já para identificar o parasita da tricomoníase, é necessário fazer um teste molecular (PCR - sigla inglesa que designa reação em cadeia da polimerase), que permite identificar a existência do genoma deste parasita.
 

Tratamento das infeções 

O tratamento das infeções vai depender primeiramente se há sintomas ou não. No caso da vaginose bacteriana e da candidíase, se a paciente “não tiver sintomas associados, não se deve fazer tratamento”, sublinha Pedro Vieira Baptista.
 
A exceção é a tricomoníase, que é transmissível sexualmente e pode facilitar a infeção por HIV. Por isso, deve ser sempre tratada. O tratamento é com um antibiótico oral, já que o parasita pode estar instalado noutros locais, como na uretra. É necessário também tratar os parceiros sexuais.
 
Quando é sintomática, a candidíase deve ser tratada com um antifúngico, que pode ser oral ou tópico. Se o tratamento for tópico, tem que ser aplicado não só na região da vulva, como também no interior da vagina.
 
A vaginose bacteriana é tratada com antibióticos e antissépticos.
 

Outras causas de vulvovaginite
 

Vaginite atrófica 

É uma inflamação da vagina que surge por falta de estrogénios, que leva a uma diminuição da camada de células da parede da vagina. É extremamente comum na pós-menopausa, durante a amamentação ou em mulheres a tomar tamoxifeno ou anastrozol por cancro da mama. Caracteriza-se por secura, ardor, irritação e dor durante o ato sexual. O tratamento geralmente passa pelo uso de estrogénio a nível tópico. Na maioria dos casos, é um tratamento “seguro” e que pode ser feito “para o resto da vida”, diz Pedro Vieira Baptista.


Vaginite descamativa inflamatória (vaginite aeróbica)

É um processo inflamatório que leva a inflamação e erosões das paredes da vagina. Não se sabe se é de origem hormonal, infeciosa ou se é causado por alterações do sistema imunitário.
 
“O tratamento não é padrão. É guiado pelo que se vê na microscopia”, explica o médico. Se há uma preponderância da atrofia da vagina, utiliza-se um tratamento com estrogénio. Noutros casos, o tratamento passa pelo uso de antissépticos e anti-inflamatórios.


Contacto com materiais/produtos irritantes

Há ainda vulvovaginites causadas por contato com materiais que irritam a mucosa, como o preservativo, lubrificantes, pensos higiénicos, entre outros, que podem levar ao desequilíbrio da flora. O primeiro passo para travar a inflamação é parar o uso do material que promove a irritação.
 

Como prevenir a vulvovaginite? 

“Não há muita coisa neste campo que possamos fazer”, explica Pedro Vieira Baptista. Ainda assim, o especialista adianta que o tabaco aumenta o risco da vaginose bacteriana.

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Colaboração

Dr. Pedro Vieira Baptista

Ginecologia e Obstetrícia
Hospital Lusíadas Porto, Hospital Lusíadas Lisboa, Hospital Lusíadas Braga
PT