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Porque é que comemos sem estar com fome? Conheça a fome hedónica.

Colaboração
O ato de comer vai além da fome física. O apetite pode ser desencadeado pelo prazer associado ao consumo de alimentos altamente palatáveis, sendo potenciado pela sua ampla disponibilidade no ambiente.

Uma ingestão elevada de alimentos com alta densidade energética e ricos em açúcar e gordura é apontada como um dos principais fatores associados ao aumento global da obesidade.

O que é a fome hedónica?

A fome hedónica refere-se ao desejo de comer baseado no prazer, independentemente das necessidades fisiológicas. Está frequentemente associada ao consumo de alimentos ricos em açúcar, gordura e sal, que ativam áreas de recompensa no cérebro.

A evidência científica tem demonstrado que o comportamento alimentar é influenciado tanto por mecanismos homeostáticos como por hedónicos, o que significa que a sensação de prazer desempenha um papel fundamental na ingestão alimentar.

No entanto, embora um certo grau de prazer esteja presente na maioria das ingestões voluntárias, esta vontade de comer por prazer nem sempre se traduz num aumento da quantidade de alimentos ingeridos.

Enquanto a fome fisiológica surge após um período prolongado sem ingestão de alimentos, na fome hedónica, a disponibilidade e as características sensoriais dos alimentos dos alimentos têm um impacto no seu consumo. Neste caso, os sinais de saciedade fisiológica podem ser ultrapassados pelo desejo de consumir determinados alimentos.

O papel das emoções

Estudos indicam que episódios de stress estão associados a um aumento do apetite e que a condição mental tem influência nos hábitos alimentares. Além disso, a alimentação é frequentemente associada a uma sensação de prazer e considerada como uma recompensa para lidar com os problemas, o que poderá resultar numa perda de controlo sob a quantidade de alimentos ingeridos. Este comportamento é, muitas vezes, inconsciente, levando-nos a recorrer a alimentos que proporcionam um prazer imediato para aliviar a ansiedade ou a tristeza.

Diversos autores defendem que a fome hedónica pode estar associada a níveis mais elevados de ansiedade e depressão, surgindo como resposta a emoções negativas.

Impacto social e cultural

A sociedade tem uma grande influência nos hábitos alimentares. Muitas vezes associamos a alimentação a momentos de celebração, como festas e reuniões familiares. Além disso, a exposição constante e o fácil acesso a snacks pouco saudáveis influenciam o nosso comportamento alimentar.

Promover escolhas alimentares conscientes e criar ambientes que favoreçam o consumo de alimentos nutricionalmente equilibrados são passos importantes para controlar a fome hedónica.

Quais as consequências?

Comer impulsivamente e em excesso pode resultar num aumento de peso e obesidade. Pode também contribuir para o desenvolvimento de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e outras condições metabólicas.

Em muitos casos, a fome hedónica está associada a perturbações do comportamento alimentar, como a compulsão alimentar, em que a pessoa sente uma necessidade incontrolável de comer mesmo sem fome, apenas para "aliviar" emoções ou obter prazer momentâneo.

Como controlar a fome hedónica?

  • Planear as refeições: elabore um plano semanal com alimentos variados e equilibrados para evitar comer por impulso. Faça uma lista de compras baseada nesse plano e assegure-se que tem em casa tudo o que precisa para evitar comprar alimentos pouco saudáveis por tentação.
  • Reconheça os gatilhos emocionais: identifique situações de stress, ansiedade ou tristeza que o levam a comer sem fome e procure outras formas de lidar com essas emoções, como a meditação ou exercício físico.
  • Pratique exercício físico regularmente: ajuda a reduzir a ansiedade e aumentar o bem-estar geral.
  • Evite distrações durante as refeições: esteja atento(a) ao momento da refeição e aos sinais de saciedade, evitando, por exemplo, ver televisão ou usar o telemóvel.
  • Procure ajuda de um profissional de saúde: um nutricionista ajudará a desenvolver estratégias personalizadas para controlar a fome emocional e o comportamento alimentar.

A fome hedónica resulta da combinação entre emoções, comportamentos alimentares e processos biológicos que nos podem levar a comer mesmo quando não estamos realmente com fome. Sentir prazer ao comer é natural, mas quando isso se torna uma forma frequente de lidar com stress, tristeza ou ansiedade, pode ter um impacto negativo para a saúde física e emocional.
Aprender a reconhecer estes impulsos e adotar estratégias simples, como planear as refeições e praticar exercício, pode fazer toda a diferença para manter um equilíbrio saudável. É importante procurar o apoio e orientação de um profissional de saúde para receber acompanhamento personalizado e encontrar estratégias eficazes para controlar a fome hedónica de forma equilibrada.

Nos Hospitais e Clínicas Lusíadas pode contar com equipas de profissionais de saúde que lhe podem acompanhar de forma personalizada, ajudar a identificar padrões alimentares, a gerir a fome emocional e a desenvolver estratégias ajustadas às suas necessidades.
 

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Nutrição

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Revisão Científica

Dra. Beatriz Vieira

Dra. Beatriz Vieira

Coordenador da Unidade de Nutrição Clínica

Hospital Lusíadas Alfragide
Hospital Lusíadas Amadora
PT