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Festivais de verão: a importância da socialização para a saúde mental

Estar com outras pessoas num ambiente descontraído e de diversão, como os festivais de verão, contribui para o bem-estar, combatendo a ansiedade e a depressão.

A socialização, como a que acontece nos festivais de verão, é uma das principais necessidades para a saúde e bem-estar do ser humano. Ao longo da vida, vamos estabelecendo relações sociais significativas e diferenciadoras com os outros, formando assim uma rede social. 

“O indivíduo sente-se motivado, satisfeito e, ao mesmo tempo, feliz por estar com amigos, família e conviver com outras pessoas. Quando essa necessidade não é satisfeita, a tendência é a desmotivação, desânimo, ansiedade”, explica  Ana Raquel Lopes, psicóloga no Hospital Lusíadas Braga

A importância das relações sociais

Este conjunto de relações que vamos construindo “determina o nicho social da pessoa, contribuindo para o seu próprio reconhecimento como indivíduo e para a imagem que tem de si”, diz a especialista, sublinhando assim a relevância da interação com os outros.  

E acrescenta: “[A rede social] é uma das chaves centrais da experiência individual de identidade, bem-estar, competência e atividade, incluindo hábitos de cuidados de saúde e capacidade de adaptação”.

O que acontece quando nos isolamos 

Nem sempre, porém, esta rede de relações se mantém. Em algumas situações, seja por causa da pandemia da COVID-19, seja por outros fatores como doença, mobilidade reduzida, incapacidade ou dependências de substâncias psicoativas, as pessoas acabam por ficar privadas do contacto com outros e do envolvimento na comunidade, dando origem ao isolamento social. 

O fenómeno tem um profundo impacto na saúde mental, traz à tona medos, angústias e dúvidas, podendo originar ansiedade e depressão. Antes de mais, porque estar com os outros é um recurso de sobrevivência, diz Ana Raquel Lopes. “Se for preciso lutar, temos mais probabilidade de preservar a nossa espécie com a ajuda dos outros. 

Logo, estar sozinho faz o nosso cérebro interpretar isso como ameaça, acionando os neurotransmissores referentes ao stresse.” Mas não só: a explicação vai para além da psicologia evolutiva, diz a especialista. “O isolamento afasta-nos das situações que normalmente nos trariam bem-estar, como caminhadas, idas ao cinema, saídas com os amigos, práticas responsáveis por ativar neurotransmissores do bem-estar.”

Com a pandemia provocada pela COVID-19, o confinamento a que milhares de pessoas foram sujeitas tornou o fenómeno mais prevalente. Em muitos casos, o isolamento “acabou por ser um gatilho para pacientes com condições preexistentes”. 

“Se o contexto já é motivo suficiente para pessoas saudáveis desenvolverem quadros de ansiedade e depressão, na pandemia quem já luta contra esses transtornos sente mais dificuldade ainda”, diz a psicóloga, explicando que a ausência de contacto com outros pode contribuir, por exemplo, para aumento do consumo de álcool e para o agravamento de casos de stresse pós-traumático. 

Segundo Ana Raquel Lopes, ainda que estejamos progressivamente a regressar à rotina, os quadros de ansiedade e depressão causados pela pandemia “demoram a ser revertidos”. “Para além disto, a nossa visão do mundo acabou por ser alterada. 

A segurança pessoal e coletiva passou a ser posta em causa, o que acaba por alterar a nossa forma de estar e de viver”, considera. 

A importância de atividades de lazer como os festivais de verão  

Atualmente, mais de dois anos depois do início da pandemia, o impacto da doença começa a diminuir. Com a redução das restrições impostas pela COVID-19 e o regresso progressivo à vida social, multiplicam-se os eventos culturais que, a par de uma rede social sólida composta por amigos e familiares, contribuem fortemente para combater o isolamento, fomentando o bem-estar dos participantes. 

Entre as iniciativas mais aguardadas este ano pela sua relevância e impacto estão os festivais de verão, que não se realizam desde 2019. Conhecidos por concentrar, num único evento, um conjunto alargado de atividades que fomentam o convívio e a diversão, estes eventos extravasam em muito o âmbito estritamente musical.  

“São um escape à rotina, quebram hábitos e permitem obter sensações distintas do dia a dia. Um festival, como um espaço onde se encontram diversos tipos de pessoas, promove também contactos com culturas e experiências diferentes”, considera Ana Raquel Lopes, recordando que a linguagem universal da música “aproxima as pessoas e é essencial para a saúde mental”. Recomendações que tornam os festivais de verão uma boa aposta para os meses quentes deste ano.
 

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Especialidades em foco neste artigo

Dra. Ana Raquel Lopes

Hospital Lusíadas Braga:
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