Lusiadas.pt | Blog | Prevenção e Estilo de Vida | Saúde da Família | Daltonismo: o que precisa de saber
2 min

Daltonismo: o que precisa de saber

O daltonismo interfere na forma como se percecionam as cores, atingindo muito mais os homens do que as mulheres, como explica a oftalmologista Ana Amaro, do Hospital Lusíadas Lisboa.

O que é?

O daltonismo (ou discromatopsia) é a dificuldade de distinguir as cores. O nome deve-se a John Dalton, o primeiro cientista a descrever a anomalia da qual ele próprio era portador, ainda no século XVIII. A forma mais comum afeta a perceção do vermelho e do verde; seguindo-se a perceção do azul e do amarelo.

A ausência total de visão cromática é uma forma grave mas muito mais rara de daltonismo, condicionando uma visão a preto e branco e uma acuidade visual muito baixa. A capacidade da retina codificar a cor dos objetos deve-se à presença de células nervosas muito especializadas, capazes de captar a luz nos mais variados comprimentos de onda.

Estas células, chamadas cones, têm pigmentos que são impressionados pela luz e desta forma reconhecem e transmitem ao cérebro a cor dos objetos visualizados.

Como é causado?

Os defeitos de visão cromática (relativos às cores) podem ser hereditários ou adquiridos. As causas hereditárias são muito mais frequentes e afetam principalmente a distinção das cores do espetro vermelho-verde. Já os problemas adquiridos, mais raros, refletem-se predominantemente no espetro azul-amarelo.

Quem é afetado?

Estima-se que 8% a 10% dos homens e 0,5% das mulheres, com ascendência genética europeia, sofram de daltonismo. Noutras populações a incidência é mais baixa.

O que explica a diferença entre os sexos?

O gene do daltonismo é transportado pelo cromossoma X. As mulheres têm dois cromossomas X, por isso, mesmo que tenham a anomalia genética, é compensada pelo par correspondente, não manifestando a doença mas tendo, no entanto, capacidade de a transmitir. Como os homens só têm um cromossoma X, se herdarem o gene do daltonismo de um dos pais, a doença vai manifestar-se.

De que forma o daltonismo condiciona a visão?

Na maioria dos casos, os défices não são absolutos. Muitas vezes os daltónicos conseguem distinguir as cores em que a sua perceção está afetada, apesar de as verem menos saturadas. A maior dificuldade prende-se com a distinção das cores intermédias. Por exemplo, na gama do vermelho-verde, a dificuldade é relativa a cores como laranja, castanho, verde-seco ou rosa.

Como se deteta?

O teste mais usado é o de Ishihara que consiste numa série de cartões com múltiplas tonalidades cromáticas, nas quais estão números que os daltónicos têm dificuldade de distinguir.

Como se pode minimizar o impacto do daltonismo?

O daltonismo não tem cura, no entanto há ferramentas que ajudam a integração do daltónico, como é o caso do ColorAdd, um sistema de identificação de cores para daltónicos. Este sistema já está em muitos manuais escolares portugueses, assim como em material de desenho, e passou a fazer parte do programa de ensino. A sua utilização tem-se vindo a disseminar um pouco por todo o mundo, sendo visível, por exemplo, na identificação das linhas do Metro do Porto.

Restrições profissionais

A única restrição profissional é para candidatos a pilotos, tanto na aviação militar como na aviação civil.

Ler mais sobre

Saúde Masculina

Este artigo foi útil?

We appreciate the feedback.

Please include your email if you want us to follow up with you.

Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Ana Amaro

Oftalmologia
Hospital Lusíadas Lisboa
PT