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Infeção por Salmonela: Sintomas e Como se Proteger

Colaboração
Muito provavelmente, já ouviu falar de ‘Salmonela’ em algum momento da sua vida. Embora seja hoje menos frequente, graças às normas de higiene e segurança alimentar e à melhoria das condições Higino-sanitárias, continua a ser uma infeção relativamente comum. Ganhou especial relevância no contexto da globalização, com as viagens para destinos onde as condições sanitárias e a preparação dos alimentos podem ser menos controladas.

O Que É?

Salmonella spp é um grupo de bactérias que coloniza habitualmente o intestino de humanos e animais. Quando uma pessoa ingere alimentos ou água contaminados, pode desenvolver salmonelose, uma condição que afeta sobretudo o trato intestinal e que está entre as infeções alimentares mais comuns.

A transmissão ocorre, principalmente, de animais para pessoas. Contudo, também existe a possibilidade de propagação entre humanos.

Quais os Sintomas de Infeção por Salmonella spp?

A infeção está frequentemente associada a queixas gastrintestinais. Passa muitas vezes despercebida, assintomática (sem queixas) ou oligosintomática (sintomas discretos), ou por resolução/controlo espontânea pelo corpo da pessoa. No entanto, algumas pessoas apresentam quadros moderados a graves, referindo com maior frequência:

  • Diarreia aquosa, que pode conter sangue ou muco;
  • Cólicas abdominais intensas;
  • Dor de cabeça;
  • Náuseas e vómitos;
  • Perda de apetite;
  • Febre (temperatura > 38.2ºC).

Os sintomas surgem geralmente entre 6 horas a 6 dias após a infeção e duram, em média, entre 4 a 7 dias.

Como se apanha?

A transmissão é fecal-oral, por isso passa sempre pela ingestão, por vezes inconsciente, de material contaminado com bactérias.

Na maioria dos casos, está associada à confeção inadequada dos alimentos ou a falhas de higiene no seu manuseamento e águas contaminadas. As fontes de contágio mais comuns são:

  • Ovos crus ou mal cozinhados;
  • Carne, peixe ou marisco crus;
  • Fruta e hortícolas mal lavados;
  • Leite ou derivados não pasteurizados;
  • Água de qualidade não controlada.


Embora os alimentos sejam a fonte mais frequente de contaminação, existem outras vias possíveis:

  • Contacto com fezes de animais infetados, incluindo aves, animais de quinta ou até animais domésticos;
  • Contaminação cruzada, quando as medidas de higiene das mãos não são cumpridas, havendo referências frequentes no contexto de infantários e lares de idosos.


Fatores de Risco e Complicações

Qualquer pessoa poder contrair a infeção, no entanto, existem fatores que aumentam o risco de exposição e/ou de contrair a doença:

  • Trabalhar com animais ou em contacto próximo com eles;
  • Tomar antibiótico ou utilizar antiácidos; · Ter doença inflamatória intestinal (colite ulcerosa ou doença de Chron);
  • Fazer viagens internacionais, sobretudo para regiões sem garantia das condições sanitárias;
  • Crianças com menos de 5 anos.

Habitualmente o quadro clínico é ligeiro e autolimitado. Contudo, em grupos de risco, como crianças pequenas, idosos, grávidas e pessoas transplantadas ou imunodeprimidas, é mais frequente a descrição de complicações, nomeadamente:

  • Desidratação grave;
  • Infeções intra-abdominais graves; · Disseminação da bactéria para o sangue e sépsis;
  • Osteomielite (infeção dos ossos);
  • Artrite (inflamação das articulações).

Alguns sinais de alarme incluem febre persistente e que não cede com medicação, sangue nas fezes, diminuição do volume ou escurecimento da urina, apesar de consumo adequado de líquidos, tonturas e incapacidade de comer ou ingerir líquidos. Se os sintomas persistirem ou agravarem, é necessário procurar apoio médico.

Qual o Tratamento?

O tratamento passa por terapêutica de suporto, ou seja, medicação que melhora globalmente os sintomas, nomeadamente soluções de reidratação e reposição e medicação antidiarreica ou para as náuseas.

Dependendo da gravidade do quadro clínico, poderá haver necessidade de antibioterapia, que deve ser sempre prescrita por um medico, dado que poderá variar.

Como Prevenir?

Recomendam-se medidas de garantia e segurança alimentar, com o objetivo de reduzir a probabilidade de contágio:

  • Lave as mãos com água e sabão frequentemente, principalmente após ir à casa de banho, antes de preparar as refeições e antes de comer;
  • Cozinhe bem os alimentos, especialmente carne e ovos, e evite consumi-los crus;
  • Lave bem as frutas e vegetais;
  • Consuma apenas leite e derivados pasteurizados;
  • Não beba água não controlada ou tratada;
  • Evite gelo nas bebidas se desconhecer a origem da água utilizada;
  • Garanta a correta conservação dos alimentos.

Se vai viajar e tem dúvidas sobre a melhor forma de se proteger contra doenças transmitidas pela alimentação, pode contar com a nossa Consulta do Viajante. O médico irá avaliar o destino e as suas necessidades específicas e orientá-lo sobre os principais cuidados a ter antes e durante a viagem.

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Revisão Científica

Dra. Diana Fernandes

Dra. Diana Fernandes

Clínica Lusíadas Oriente
Hospital Lusíadas Campera
PT