Alimentação Durante a Amamentação: Tudo o Que Precisa de Saber
O que a mãe come interfere na amamentação?
Sim. Os alimentos e as bebidas são digeridos e alguns dos seus componentes passam para a corrente sanguínea. Por sua vez, o leite materno é produzido nas glândulas mamárias a partir de água, nutrientes e outras substâncias presentes no organismo da mãe e transportadas pelo sangue. Deste modo, alguns desses componentes podem influenciar, em maior ou menor grau, a composição do leite.
Porque é que uma alimentação adequada é tão importante?
Existem duas grandes razões pelas quais a dieta da mãe é importante durante a amamentação:
- Ajuda a responder às necessidades nutricionais do bebé. Uma alimentação completa, variada e equilibrada, que inclua todos os grupos da Roda dos Alimentos, é essencial para que o leite materno tenha os nutrientes essenciais à correta nutrição do bebé. Embora o leite materno não dependa exclusivamente da alimentação da mãe, alguns nutrientes são influenciados por ela, nomeadamente o teor em ácidos gordos, selénio, iodo e algumas vitaminas do complexo B.
- Permite ao bebé contactar com uma variedade de sabores. Alguns sabores presentes nos alimentos consumidos pela mãe podem passar para o leite materno. Esta exposição pode ajudar o bebé a familiarizar-se com uma maior variedade e facilitar, mais tarde, a diversificação alimentar.
Quando Está a Amamentar, deve comer mais?
Sim. A amamentação faz com que o organismo consuma mais energia. Recomenda-se, em geral, um consumo adicional de 500 kcal/dia para amamentação exclusiva nos primeiros seis meses, um valor semelhante ao recomendado no terceiro trimestre de gravidez. Ao nível da proteína, este acréscimo corresponde a cerca de 19g/dia adicionais nos primeiros 6 meses, e 13g/dia dos 6 aos 12 meses.
No entanto, estas necessidades variam consoante fatores como o nível de atividade física, a idade, a composição corporal e o tipo de amamentação, exclusiva ou mista. As calorias adicionais devem ser obtidas, preferencialmente, através de alimentos variados e ricos em nutrientes.
Existem Alimentos Que Podem Ajuda a Aumentar a Produção de Leite?
Não existe evidência científica que comprove o efeito de determinados alimentos no aumento da produção de leite materno. A melhor forma de estimular é dar de mamar sempre que o bebé demonstrar fome, uma vez que a produção depende, em grande parte, da sucção: da sua frequência, duração e intensidade. Contudo, uma alimentação saudável e uma boa hidratação são também determinantes.
Quais os Alimentos Que a Mãe Deve Privilegiar?
Não é necessário seguir uma dieta específica durante a amamentação, salvo indicação do seu médico. No entanto, alguns nutrientes assumem particular importância, como a proteína, o cálcio, o ferro, o ómega-3, o iodo, o selénio, a fibra e a vitamina D. Estes podem ser obtidos através de uma alimentação variada e equilibrada.
Por isso, a mãe deve incluir no seu dia a dia alimentos que sejam fonte destes nutrientes:
- Proteína: carne, peixe, ovos, leguminosas (feijão ou lentilhas) e lacticínios.
- Cálcio: lacticínios e vegetais de folha verde-escura.
- Ferro: carnes vermelhas, leguminosas e vegetais de folha verde-escura.
- Ómega-3: peixes gordos, como o salmão ou a sardinha. O perfil de ácidos gordos do leite reflete a dieta.
- Iodo: peixe, lacticínios e sal iodado. A concentração no leite depende diretamente da ingestão materna.
- Zinco: carne, marisco e leguminosas. As necessidades aumentam durante a lactação, sendo o leite materno a única fonte deste mineral para o bebé em amamentação exclusiva.
- Vitamina D: peixes gordos e ovos. Também é importante a exposição solar moderada.
- Fibra: cereais integrais, fruta e legumes.
Existem Alimentos a Evitar?
A evitar:
- Álcool: Segundo a Organização Mundial de Saúde, a abstinência de álcool deve ser total durante a amamentação, uma vez que não existe uma dose nem uma fase considerada segura. O álcool passa para o leite materno, pode reduzir a produção de leite e está associado a efeitos adversos no desenvolvimento do bebé.
- Peixes com elevado teor de mercúrio: Espécies como o atum fresco (não o de conserva), cação, espadarte, maruca, pata-roxa, peixe-espada e tintureira podem apresentar níveis mais elevados de mercúrio. Esta substância pode passar para o leite e, em quantidades elevadas, afetar o desenvolvimento cerebral e neurológico do bebé.
A limitar:
- Cafeína: Deve moderar-se o consumo de café, chá, alguns refrigerantes, chocolate e outras fontes de cafeína. Esta pode provocar irritabilidade ou alterações no sono do bebé. As mesmas recomendações da gravidez aplicam-se à lactação (idealmente não ultrapassar 200mg/dia, que equivale a aproximadamente a 2 cafés expresso por dia)
- Alimentos ultraprocessados: Por serem geralmente ricos em sal, açúcar e gordura, e menos densos em nutrientes, não devem constituir a base da alimentação da mãe.
É Necessária a Toma de Suplementos?
Algumas mulheres podem ser aconselhadas a tomar suplementos, sobretudo em casos específicos, como gestação múltipla, dietas vegetarianas/vegan ou alimentação inadequada. É recomendado manter a suplementação de iodo durante toda a amamentação exclusiva, dando seguimento à suplementação iniciada na gravidez, exceto em mulheres com patologia da tiroide, caso em que esta suplementação está contraindicada.
No caso do bebé, recomenda-se a suplementação de vitamina D, desde o nascimento até ao primeiro ano, em todos os lactentes amamentados, independentemente da alimentação da mãe.
No entanto, a suplementação deve ser sempre recomendada pelo médico ou nutricionista, com base no historial clínico, nos hábitos alimentares e, quando necessário, nos resultados de exames.
Se está a amamentar e gostaria de receber aconselhamento personalizado sobre a sua alimentação, pode contar com a nossa equipa de Nutrição Clínica. Os nossos profissionais irão avaliar as suas necessidades, hábitos alimentares e eventuais restrições, ajudando-a a adotar uma alimentação equilibrada e adequada, para que viva esta fase com mais segurança e bem-estar.
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