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Como cuidar da sua voz

Diogo Beja e Joana Azevedo, animadores da Rádio Comercial e que usam a voz como ferramenta de trabalho, visitaram o Hospital Lusíadas Lisboa para saberem ainda melhor que hábitos devem seguir para preservar a sua voz. Partilhamos consigo o que ouviram dos nossos profissionais.

O que há de comum entre Diogo Beja e Joana Azevedo, animadores da Rádio Comercial e apresentadores do programa “Já se Faz Tarde”, e um político, um advogado ou um professor? Se respondeu “nada”, então a sua resposta está… errada. Há um aspeto que une todos estes profissionais e é, também, a razão por que conhece os dois animadores – a voz.

Joana Azevedo, Diogo Beja, assim como os políticos, os advogados ou os professores, usam a voz como instrumento de trabalho. E, como tal, estão mais vulneráveis a ter problemas de voz.

Foi para evitar que isso acontecesse que os dois animadores visitaram o Hospital Lusíadas Lisboa, onde foram recebidos pelo otorrinolaringologista Vítor de Sousa e por Lina Marques de Almeida, terapeuta da fala. Objetivo: saber de que forma podem cuidar do seu instrumento de trabalho, a voz.

Por que razão é importante estar atento à sua voz?

A voz é produzida na laringe, onde se localizam as cordas vocais (o termo correto é pregas vocais). Quando vamos falar, essas cordas fazem um movimento de vibração devido à passagem do ar que vem dos pulmões quando expiramos. O som produzido vai ser ampliado e modificado pelas cavidades de ressonância e pelos órgãos de articulação que trabalham em conjunto para a produção de vogais e consoantes.

Se não estiver atento às alterações da sua voz, poderá não identificar problemas de saúde que necessitam de aconselhamento médico. Por exemplo, para uma pessoa que tem rouquidão persistente (uma das alterações na voz que pode notar), podem haver vários diagnósticos possíveis, explica Vítor de Sousa, otorrinolaringologista.

“Pode ser a coisa mais simples do mundo – como uma má utilização de umas cordas vocais normais – até aos nódulos das cordas vocais, polipos, quistos ou tumores das cordas vocais, que é isso que assusta mais as pessoas quando têm uma rouquidão”, assinala o médico, acrescentando que “desde a situação mais simples à situação mais complicada, tudo pode dar rouquidão”.

Daí que Vítor de Sousa recomende: “Quando há uma alteração persistente na voz, a pessoa deve ir ao otorrinolaringologista para perceber o que tem.”

Quando procurar o médico

Deve consultar o otorrinolaringologista na presença de:

  • Rouquidão (durante mais de 15 dias);
  • Perda de voz;
  • Cansaço quando fala; 
  • Dores de garganta;
  • Pigarreio frequente;
  • Irritação na garganta durante mais de dez dias.

Prevenção: que cuidados deve ter com a voz?

Fizemos essa pergunta aos dois animadores que visitaram o Hospital Lusíadas Lisboa: o que fazem para cuidar da voz? “Eu não sou assim muito cuidadosa, mas há uma coisa que eu não faço – não bebo bebidas geladas, nem muito quentes”, começa por responder Joana Azevedo. E confessa logo de seguida: ‘Mas vou ser sincera – eu não faço isso porque não gosto’”, diz a rir.

1. Atenção às bebidas

Não ingira bebidas demasiado quentes ou demasiado frias e evite bebidas alcoólicas e com cafeína.

2. Não se automedique

Existem fármacos – como os anti-histamínicos, diuréticos, descongestionantes nasais e antidepressivos – que podem afetar a voz. Diogo Beja, que durante vários anos teve problemas com a garganta e que depois percebeu ser refluxo gastroesofágico, aprendeu com a sua experiência a não se automedicar.

“Cometia erros graves, que agora tento evitar ao máximo: muitas vezes recorria a antibióticos. Era um disparate eu estar a resolver um problema que efetivamente é grave, mas em que a origem não era efetivamente uma fraqueza da garganta. Era o refluxo que me estava a provocar essa fragilidade”, conta.

O refluxo gastroesofágico, também chamado de “azia”, é a passagem de suco gástrico para o esófago e é extremamente agressivo para a mucosa da região posterior das pregas vocais, o que provoca a sensação de queimadura. Deste modo, há um aumento de produção de muco e, por consequência, de pigarrear e de tossir.

Diogo Beja não percebia o que se passava: “Pensei que tinha efetivamente uma fraqueza na garganta. Eu ando sempre de t-shirt o ano todo e as pessoas diziam ‘Como não andas de casaco, por isso é que estás assim’, mas eu descobri que era por causa do refluxo.

Acima de tudo havia muita coisa que eu comia e alguns hábitos que eu tinha que acabavam por potenciar a passagem de ácidos do estômago para o esófago e era isso que me afetava o esófago e a garganta”, conta Diogo Beja. Quando descobriu o que lhe causava mal-estar, o animador alterou os seus hábitos e melhorou bastante. “Sentia-me mal, muitas vezes inchado e isso acabou tudo”, conta.

3. Cuidado com o que come

Diogo Beja descobriu os alimentos que lhe estavam a provocar o refluxo eram, entre outros, o tomate e o chocolate e por isso, o animador da Rádio Comercial tenta não os ingerir. Mas a avaliação de que alimentos devem ser evitados deve ser feita caso a caso pelos especialistas.

4. Aqueça a voz

Se sabe que vai falar durante um longo período de tempo faça exercícios de aquecimento vocal e desaquecimento vocal. “Estes exercícios vocais devem ser feitos pelos profissionais de voz antes e depois de falarem durante muito tempo. Após uma avaliação pelo terapeuta da fala as pessoas ficam a conhecer quais os exercícios que são mais adequados para si.”, explica a terapeuta da fala Lina Marques de Almeida.

5. Durma bem

Durma entre 7 a 8 horas. Pratique exercício físico e não fume.

6. Beba água

Beba, ao longo do dia, 7 a 8 copos de água, em pequenos golos. Se estiver em ambientes com ar condicionado, reforce a hidratação. “E deve ter sempre presente que deve beber água ao longo do dia e aos poucos para manter as cordas vocais hidratadas”, explica Lina Marques de Almeida.

7. Evite usar roupas apertadas na zona do pescoço e cintura

As roupas apertadas junto da zona do pescoço e cintura limitam os movimentos necessários para a respiração e fonação.

8. Atenção à forma como fala

Fale suavemente, de forma pausada, respirando de modo adequado. Uma prática que os dois apresentadores da Rádio Comercial nem sempre conseguem cumprir. “Nós somos pais, não podemos controlar isso”, ri o animador. Já Joana Azevedo assume que respira mal. “Perco o fôlego facilmente”, diz.

9. Tenha atenção à sua postura

“A postura é importante para a nossa fala. Se uma pessoa fala maioritariamente com o queixo e pescoço esticado para cima, a zona do pescoço está em tensão e desta forma as cordas vocais também e, claro, estão a trabalhar em esforço”, explica Lina Marques de Almeida.

Um outro exemplo de má postura são os professores, que além de terem de falar muito e alto “estão por vezes curvados a explicar os exercícios aos alunos”, pelo que “não é o mais correto e ao fim do dia a voz ressente-se”.

Cada caso é um caso, contudo todas as pessoas devem ter estes cuidados e por isso, “é importantíssimo ouvir a nossa voz e perceber se houve alguma alteração”, o que pode também passar por estar atento ao que os outros lhe dizem: “Muitas vezes é preciso ouvir quem está de fora e nos diz: “A tua voz está diferente”, acrescenta a terapeuta da fala.

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Revisão Científica

Dr. Vitor de Sousa

Otorrinolaringologia
Hospital Lusíadas Lisboa, Clínica Lusíadas Parque das Nações
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