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5 doenças oftalmológicas que deve conhecer para tratar

As doenças oftalmológicas aparecem em qualquer idade e podem ainda surgir na sequência de doenças sistémicas. Nuno Gomes, coordenador da Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Porto fala-nos sobre as mais frequentes.

Cada vez mais presentes, as doenças oftalmológicas podem surgir em tenra idade. Existem condicionamentos genéticos, de estilo de vida, ou podem, mesmo, surgir no seguimento de doenças sistémicas (que afetam o organismo). Nuno Gomes, coordenador da Unidade de Oftalmologia do Hospital Lusíadas Porto, ajuda a identificar as mais comuns, apontando algumas forma de prevenção e tratamentos. Saiba como identificar cinco doenças oftalmológicas e como as tratar:

 

1. Erros refrativos: miopia, hipermetropia ou astigmatismo

Estas doenças oftalmológicas resultam do facto de a imagem não chegar à retina de forma nítida ou “focada”. São normalmente uma consequência de uma alteração morfológica do globo ocular:

  • Comprimento axial demasiado longo ou curto;
  • Ou córnea mais curva ou mais plana do que o normal.

Fatores de risco

A história familiar é importante, mas o trabalho ocular intenso pode ser um fator de agravamento da miopia, embora este tema seja ainda controverso.

Tratamento

Estes erros são normalmente corrigidos com o recurso a óculos, lentes de contacto ou a cirurgia (em casos selecionados)

2. Glaucoma

O glaucoma é a segunda causa de cegueira no mundo. Esta doença silenciosa e degenerativa afeta o nervo ótico, causando uma perda progressiva de fibras nervosas da retina. Evolui muitas vezes de forma assintomática, especialmente na sua fase inicial. Existem vários tipos de glaucoma, cada um com origem e evolução diferente, embora a maioria dos casos seja o chamado glaucoma crónico simples, ou glaucoma de ângulo aberto.

Fatores de risco

Nesta doença há uma componente hereditária muito marcada, que é atualmente objeto de muita investigação.

Prevenção

Muito importante para o tratamento é o diagnóstico precoce. Portanto, em casos com história familiar positiva, o ideal é fazer consultas periódicas depois dos 40 anos. A medição da pressão intraocular e a observação do nervo ótico são aspetos cruciais no diagnóstico.

Tratamento

Quando o diagnóstico é feito de forma atempada, o tratamento é mais eficaz e menos agressivo e permite, na grande maioria dos casos, travar a progressão da doença. Podem ser aplicados colírios, mas o tratamento a laser ou a cirurgia poderão ser igualmente utilizados. 

3. Catarata

A catarata consiste na opacificação do cristalino: a lente natural do olho localizada atrás da pupila. Quando este perde a transparência e impede a passagem da luz de forma clara até à retina, o doente sofre uma perda progressiva de visão.

Fatores de risco

Ao longo dos anos, a nossa lente natural vai-se tornando opaca. Embora o envelhecimento seja a principal causa de catarata e, em alguns casos, seja congénita, existem outros fatores não relacionados com a idade que podem ser determinantes como:

  • Diabetes ocular;
  • Miopia elevada;
  • Aplicação de corticoides em colírios de forma crónica;
  • Cirurgias intraoculares prévias;
  • Traumatismos oculares;
  • Doenças ou tratamentos sistémicos com alguns fármacos.

Diagnóstico e tratamento

Embora não possa ser evitada, a catarata é uma das doenças oftalmológicas que pode ser detetada através de exames oftalmológicos. É aconselhável consultar um oftalmologista, especialmente depois dos 45 anos e, se o diagnóstico for feito, determinar se a cirurgia é apropriada ou qual o momento mais apropriado para a realizar.

O Hospital Lusíadas Porto disponibiliza o Laser de Femtosegundo, a técnica mais avançada na cirurgia de cataratas. Trata-se de um procedimento cirúrgico de ambulatório: indolor, de baixo risco anestésico (normalmente tem apenas anestesia ocular) sendo a recuperação visual rápida. O procedimento mais comum é a facoemulsificação, ou seja, desfazer a catarata e aspirar os fragmentos. A cirurgia tem como objetivo substituir a lente opaca por uma lente intraocular artificial, escolhida em função das exigências e características do paciente. 

4. Retinopatia diabética

É a doença vascular mais frequente da retina. Tem origem na lesão dos vasos sanguíneos da retina como causa da descompensação metabólica da diabetes. Leva a uma perda de visão que, em algumas ocasiões, pode ser muito grave e irreversível. Com a manutenção de níveis elevados de glicemia, as paredes dos vasos sanguíneos da retina sofrem alterações e tornam-se mais permeáveis, deixando passar líquido para o espaço extracelular.

Em casos avançados, produz-se uma proliferação de vasos sanguíneos anómalos que originam hemorragias ou trações. A presença de sangue no espaço vítreo faz com que este se torne opaco, levando a uma diminuição da visão que geralmente aparece de forma brusca.

Controlo

Os doentes diabéticos devem realizar um controlo apertado da sua glicemia, da pressão arterial e dos valores de colesterol. Há contudo outros fatores que influenciam negativamente a evolução da retinopatia diabética:

  • Obesidade;
  • Tabagismo;
  • Sedentarismo.

Estes pacientes (que ascendem a mais de 200 milhões em todo o mundo) devem fazer revisões periódicas da retina, já que geralmente a retinopatia diabética não provoca sintomas até que a lesão seja severa ou extensa.

Tratamento

A retinopatia pode afetar a mácula (a zona central da retina responsável pela visão de detalhe) ou a periferia da retina. Segundo a zona afetada e o grau de desenvolvimento da doença, os especialistas dispõem de diferentes opções de tratamento, como:

  • Fotocoagulação laser;
  • Injeções intravítreas;
  • Cirurgia (vitrectomia).

Outras complicações visuais associadas à diabetes, como o glaucoma ou as cataratas requerem tratamentos específicos. 

5. Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI)

Trata-se de uma doença degenerativa da zona central da retina, a mácula, que provoca uma perda progressiva das células e do epitélio pigmentado da retina. Como consequência, surge uma perda grave da visão central. A DMRI afeta gravemente a qualidade de vida do paciente e a sua capacidade para realizar atividades quotidianas.

Esta doença pode apresentar-se de duas formas:

  • A DMRI seca, que afeta cerca de 80% dos pacientes e caracteriza-se por uma evolução lenta e progressiva. Os depósitos que se acumulam na zona central provocam atrofia da mácula e fazem com que o paciente perca lentamente a visão na zona central do seu campo visual. Para a DMRI seca não existe ainda um tratamento eficaz;
     
  • A DMRI húmida caracteriza-se pelo crescimento de novos vasos sanguíneos de paredes muito finas, que acabam por derramar fluído e sangue para a mácula. A perda de visão nestes casos é súbita e de evolução rápida. A DMRI húmida é normalmente controlada com fármacos intravítreos antiangiogénicos, que têm como função atrasar o crescimento dos vasos sanguíneos.
     

Fatores de risco

  • Idade;
  • Tabaco;
  • Predisposição genética;
  • Exposição prolongada à luz solar.

Prevenção

  • Seguir uma dieta alimentar saudável e diversificada;
  • Não fumar;
  • Fazer revisões oculares periódicas após dos 50 anos;
  • Usar óculos de sol.

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Doenças dos Olhos

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Nuno Gomes

Coordenador da Unidade de Oftalmologia

Oftalmologia
Hospital Lusíadas Porto, Hospital Lusíadas Braga
PT