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Os óculos de sol são (mesmo) importantes

Álvaro Sá, oftalmologista no Hospital Lusíadas Porto, explica por que não deve sair de casa sem os seus óculos de sol.

Todos sabemos que os óculos de sol protegem contra a radiação luminosa, mas o que fazem exatamente? “Num dia com luz solar muito intensa, os níveis elevados de luz tendem a saturar a retina e, por isso a diminuir os níveis de sensibilidade ao contraste. A função dos óculos de sol é, assim, devolver à retina o nível máximo de sensibilidade ao contraste, eliminando o excesso de ‘ruído’”, explica Álvaro Sá, oftalmologista no Hospital Lusíadas Porto.

O especialista lembra ainda que "a maioria dos óculos de sol absorve 70 a 80% da luz incidente, mas reduzem o excesso de brilho (glare) da luz refletida pelas superfícies metálicas, lagos e rios, vidros das janelas, piso das estradas, etc. Quase todos absorvem a maioria dos raios UV, o que também é verdade para os óculos com lentes "normais" (lentes claras)".​

Os perigos do sol

"As queimaduras solares são causadas pela exposição prolongada a altas doses de radiação ultravioleta. Pode haver lesão estrutural e funcional do exterior e interior do olho pelos efeitos térmicos e/ou fotoquímicos da absorção da luz", alerta o médico. Desta forma, mesmo em dias mais nublados, não deve desleixar a sua proteção, já que os raios UV estão presentes durante todo o ano, independentemente da intensidade do sol. Mas como se manifestam as lesões oculares pela luz?

Exemplos clínicos de lesões oculares pela luz:

  • Nas pálpebras

É preciso ter especial atenção na época balnear, pois, tal como explica o oftalmologista do Hospital Lusíadas Porto, a pele das pálpebras pode sofrer queimadura solar essencialmente pelos raios UV-B. "As nuvens não filtram a radiação UV, portanto não previnem as queimaduras solares. Os raios UV são refletidos pela areia, água, etc. O guarda-sol não fornece proteção total contra estes raios", refere Álvaro Sá. E acrescenta: "O espetro das lesões da pele causadas pelos raios UV pode variar entre as lesões relativamente benignas (queratose epidérmica, pele seca, hiperplasia sebácea, manchas pela idade, rugas, etc.) até lesões malignas (carcinoma de células basais, carcinoma de células escamosas, melanoma maligno, etc.)."

  • Na córnea

Situações a evitar e sintomas aos quais se deve estar atento:

  • Solários, lâmpadas germicidas, trabalhar com equipamentos de solda – podem provocar queratite superficial provocada;
  • A "cegueira" da neve (a neve reflete cerca de 85% da radiação UV incidente) é o resultado da exposição prolongada aos raios UV – causam uma queratite superficial punctata que tipicamente aparece 8 a 12 horas após a exposição;
  • Exposição crónica à radiação ultravioleta – pode produzir uma degeneração esferoidal da córnea (por exemplo, surge em cerca de 14% dos esquimós) e estar associada à presença de pterígeo (membrana que cobre os olhos);
  • Exposição solar prolongada na praia (sem óculos de sol): chega a dificultar a adaptação ao escuro durante dois dias.
     
  • No cristalino

Associado ao aparecimento de catarata e ao início mais precoce da presbiopia que, em média, surge cinco anos antes na população dos países com mais sol (trópicos), talvez pela maior exposição à radiação infravermelha.

  • Na retina

Parece haver associação com o aparecimento da Degenerescência Macular relacionada com a Idade (DMI) pela toxicidade da luz azul e dos raios UV na mácula.

Grupos mais vulneráveis à lesão ocular pelos raios ultravioleta

  • Idosos

A partir dos três anos, as crianças já devem estar protegidas, mas os mais velhos não podem descurar a sua saúde ocular. “Com a idade há diminuição da concentração de moléculas que protegem dos raios UV. Catarata e DMI podem estar relacionadas com a combinação da exposição cumulativa de luz e coincidente diminuição da bioquímica protetora”, diz Álvaro Sá.

  • Pessoas com olhos azuis

Pessoas com menos pigmentação, vulgo “olhos azuis”, são mais sensíveis à luz? O tema ainda é polémico, mas os indivíduos com íris mais escura apresentam maior quantidade de melanina nos tecidos, incluindo na coroide, protegendo melhor a retina da exposição à luz solar. O especialista confirma: "Estudos mostram que pacientes cujas íris são azuis (menos pigmentadas) têm mais incidência de DMI em comparação com pacientes com íris castanhas".

  • Pessoas com afaquia (ausência de cristalino)

O cristalino é o filtro natural do olho que o protege da radiação ultravioleta e luz azul, protegendo a retina da DMI. “Por esta razão, a maior parte das lentes intraoculares implantadas durante a cirurgia de catarata (em que se retira o cristalino) têm filtro ultravioleta e para a luz azul”, explica Álvaro Sá.

  • Uso de fármacos fotossensibilizantes

“Existem fármacos, como tetraciclinas ou psoralenos, que deixam os tecidos mais vulneráveis à lesão luminosa, depositando-se no cristalino e na retina”, afirma o especialista, acrescentando que nesses casos, a exposição solar deve ser evitada.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dr. Álvaro Sá

Oftalmologia
Hospital Lusíadas Porto
PT