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COVID-19 e as doenças respiratórias: conselhos

As pessoas com doenças respiratórias crónicas, tais como a DPOC e a asma, devem reforçar os seus cuidados uma vez que correm maior risco de doença grave por COVID-19. Conheça as recomendações.

A Organização Mundial da Saúde salienta que apesar de os especialistas estarem ainda a compreender de que forma a COVID-19 afeta o organismo, as pessoas idosas e aquelas com condições médicas pré-existentes, tais como as doenças do coração, dos pulmões ou diabetes, parecem correr maior risco de doença grave por COVID-19 do que a restante população. Nesse sentido, reunimos algumas respostas às perguntas mais frequentes das pessoas com doenças respiratórias, com conselhos específicos também para quem tem Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e asma.

As pessoas com problemas pulmonares correm um maior risco de contrair COVID-19 do que outras pessoas que não têm estas doenças?

Segundo a European Lung Foundation, o risco de uma pessoa com problemas pulmonares contrair a doença não é maior. No entanto, estas pessoas podem ter mais complicações quando contraem a infeção. “Não temos ainda a certeza se os doentes com condições pulmonares têm maior probabilidade de contrair uma infeção respiratória após a COVID-19, mas é provável que assim seja, pois é o que acontece com outros vírus como a gripe”, acrescenta a mesma fonte.

As pessoas com doenças respiratórias são mais propensas a morrer vítimas de COVID-19 do que as que não têm essas doenças?

“Até agora, idades mais avançadas e a presença de condições subjacentes - incluindo condições pulmonares - têm sido fatores de risco de morte”, refere a European Lung Foundation. No entanto, acrescenta a mesma fonte, “é importante salientar que a maioria dos doentes, mesmo aqueles com doenças respiratórias subjacentes, contraíram infeções leves e recuperaram completamente”.

O que é que as pessoas com doenças respiratórias devem fazer para prevenir a COVID-19?

A Sociedade Portuguesa de Pneumologia emitiu as seguintes recomendações destinadas às pessoas com doenças respiratórias:

  • Lavar as mãos com água e sabão durante 20 segundos, várias vezes por dia;
  • Se não puder lavar as mãos, usar solução alcoólica (70% álcool) para fazer a higiene das mesmas;
  • Evitar tocar na face para que o vírus não passe das mãos para a boca ou nariz;
  • Cobrir a boca e nariz com um lenço descartável sempre que se tosse ou espirra e encorajar as pessoas à volta a fazer o mesmo;
  • Tossir para a prega do cotovelo;
  • Fazer higiene das mãos após espirrar ou tossir;
  • Distanciamento social de 1 a 2 metros de outras pessoas, evitando aperto de mão, abraços e beijos;
  • Tocar o mínimo possível com as mãos em espaços públicos;
  • Evitar aglomerações de pessoas;
  • Trabalhar a partir de casa, se possível;
  • Ter armazenado medicação crónica, nomeadamente inaladores de manutenção – os que faz diariamente e os de SOS;
  • Combinar com a empresa de cuidados respiratórios para ter óculos nasais, máscaras de ventilação não invasiva, filtros suplentes e abastecimento de oxigenoterapia;
  • Seguir as orientações da Direção-Geral da Saúde relativamente à necessidade de isolamento domiciliário consoante a fase da pandemia e que são atualizadas diariamente.

Se tiver alergia nasal e ocular e, especialmente, se tiver sintomas locais como comichão ou desconforto, deve ter cuidados redobrados para evitar tocar no nariz ou olhos, aconselha também a Sociedade  Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica. Se for necessário, contacte o seu médico: é possível reajustar a sua medicação de forma a que tenha menos sintomas.

DPOC

O que é que as pessoas com DPOC devem fazer para prevenir a COVID-19?

Além das recomendações enumeradas para todos os doentes, as pessoas com DPOC deverão seguir as seguintes indicações específicas, emitidas num dos webinares promovidos pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia (consultar aqui):

  • É muito importante promover o isolamento social e não aceitar em casa visitas de qualquer tipo; - Manter a DPOC estabilizada;
  • Manter a medicação inalatória regular, incluindo corticoides inalados. A Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD) assinala, numa declaração, que a entidade não tem “conhecimento de qualquer evidência científica que sustente que os corticoides inalados (ou orais) devam ser evitados por doentes com DPOC durante a epidemia de COVID-19”;
  • Manter o tratamento por oxigenoterapia e eventual ventilação não invasiva e, nestes casos, os doentes devem ter sempre o contacto da empresa de cuidados respiratórios domiciliários em caso de modificação ou de algum mau funcionamento deste tipo de equipamentos.

Dúvidas comuns de fumadores

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença que está associada ao consumo de tabaco - cerca de 75% dos casos estão associados ao tabagismo.

Os fumadores estão em maior risco de infeção e desenvolvimento de doença grave por COVID-19?

Segundo a Direção-Geral da Saúde, não existem estudos que confirmem esta questão. No entanto, diz a mesma fonte, “se a pessoa fumadora já tiver problemas respiratórios ou cardíacos, isso pode contribuir para o agravamento da situação clínica, caso se infete com COVID-19. Um fumador de longa data já apresenta alterações pulmonares que podem estar associadas a quadros de pneumonia em caso de infeção por COVID-19”.

Se um fumador deixar os hábitos tabágicos melhora a sua capacidade de resposta à infeção por COVID-19?

A recuperação da capacidade pulmonar não é imediata, assinala a Direção-Geral da Saúde. “Mas qualquer pessoa que decide deixar de fumar deve fazê-lo porque fará sempre a diferença (cancro, AVC, enfarte agudo do miocárdio, DPOC e outras comorbilidades) e terá sempre benefícios para a sua saúde – a curto e longo prazo”.

Asma

O que é que as pessoas com asma devem fazer para prevenir a COVID-19?

Quem tem asma é considerado um grupo de risco e, por isso, a Direção-Geral da Saúde aconselha as medidas de isolamento social:

  • Mantenha-se em casa. Só deve sair de casa se for estritamente necessário. Evite o contacto próximo com pessoas;
  • Proteja-se, por ser uma pessoa com maior risco de infeção. Deve manter sempre a terapêutica que cumpre regularmente;
  • Cumpra as regras de higiene e etiqueta respiratória; - Em caso de agravamento, iniciar a medicação SOS que usa em crises e contactar a SNS24. Preste atenção aos sinais e sintomas. Se ficar doente, permaneça em casa e ligue para o SNS24 (808 24 24 24).

Dúvidas comuns

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica preparou um documento com respostas às dúvidas mais comuns sobre a relação entre a infeção COVID-19 e a asma que aqui adaptamos. A mesma entidade faz, no entanto, uma ressalva: as informações atualmente disponíveis sobre a infeção COVID-19 são ainda escassas.

Qual o risco para os doentes com asma? Têm risco maior de infeção por COVID-19?

Os dados disponíveis atualmente não indicam um risco aumentado de contrair esta infeção quer pelos doentes com asma, quer com outras doenças alérgicas. No entanto, do ponto de vista teórico faz sentido que a asma possa ser um fator de risco para infeção COVID-19 mais grave, pelo que se recomenda um cuidado extra.

Questões sobre medicação

  • Deve manter-se a medicação habitual?

É muito importante que o tratamento seja mantido de forma regular e sem falhas uma vez que o mau controlo da asma poderá contribuir para uma maior gravidade do quadro respiratório associado à COVID-19.

Se a asma estiver bem controlada com a medicação que a pessoa já está a fazer, deve-se manter conforme é habitual, nas doses e à hora recomendadas pelo médico. Se recentemente tiver notado sintomas de asma (pieira, tosse, aperto no peito ou falta de ar), pode ser necessário ajustar a medicação diária.

Se o plano de tratamento (definido com o médico) prevê que faça ajuste da medicação quando estiver pior, deverá colocar esse ajuste em ação.

Se não estiver definida a forma como deve ajustar a medicação em caso de agravamento, a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) recomenda que a pessoa fale com o médico que a acompanha. Para avaliar o controlo da asma, a SPAIC recomenda o preenchimento do questionário CARAT - Teste de Controlo da Asma e Rinite Alérgica.

Deve fazer-se medicação adicional para estar mais protegido da infeção COVID-19?

Atualmente não existe nenhuma informação fidedigna que sugira um efeito preventivo benéfico de qualquer medicamento, suplemento ou alimento específico.

O fundamental é manter a medicação que controla a asma e a rinite. De momento não há vacinas específicas para prevenir o novo coronavírus.

As vacinas existentes para prevenção de outras infeções que podem acontecer em simultâneo (como, por exemplo, a pneumonia pneumocócica ou a gripe), devem ser feitas de acordo com as recomendações habituais, não havendo atualmente nenhuma recomendação no sentido de reforçar ou antecipar essa administração devido ao risco de infeção por COVID-19.

Como distinguir os sintomas de asma dos sintomas de COVID-19?

Os sintomas mais habituais na infeção COVID-19 são:

  • Febre (temperatura igual ou acima de 38 ºC);
  • Tosse (geralmente seca);
  • Dificuldade respiratória.

Outros sintomas de COVID-19:

  • Congestão nasal;
  • Dores de cabeça;
  • Dores musculares ou articulares;
  • Alterações digestivas (diarreia ou náusea).

Estes sintomas podem ir-se agravando de forma progressiva.

Há uma parte dos sintomas da infeção COVID-19 que podem ser semelhantes a uma crise de asma, tais como a tosse seca e a sensação de dificuldade respiratória.

Na crise respiratória, explica a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, habitualmente esses sintomas melhoram rapidamente com o uso de medicação broncodilatadora de ação rápida. Se esse tipo de medicamentos fizer parte do seu tratamento de emergência para a asma e estiver com tosse ou falta de ar, é recomendado que os utilize. A resposta a este tratamento será também importante para o seu médico.

Caso não tenha este tipo de medicamentos ou caso não tenha um plano de emergência definido, deverá contactar o seu médico para eventual ajuste da medicação. E relembra ainda a Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, em caso de crise de asma (sem contexto infecioso) não é expectável haver febre, pelo que se tiver este sintoma associado a tosse ou a falta de ar, deverá contactar o seu médico e/ou a linha SNS 24.

O que fazer se tiver sintomas sugestivos da infeção COVID-19 o que se deve fazer?

Se suspeita que está com sintomas sugestivos de COVID-19 não deve ir diretamente a uma unidade de saúde sem contactar o SNS 24. Deverá contactar também o seu médico assistente que poderá ajudar a perceber o risco real de estar com essa infeção e orientar os passos a tomar em seguida. Caso os sintomas sejam realmente sugestivos de COVID-19, no contacto com a linha SNS 24 deve explicar os sintomas que tem, indicar a doença de base e a medicação que toma e proceda de acordo com o que lhe transmitirem.

Revisão cientifica:
Vitor Fonseca, coordenador da Unidade Funcional de Pneumologia do Hospital de Cascais

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