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Doenças oncológicas e a COVID-19: recomendações

Resposta às dúvidas dos doentes oncológicos durante a atual pandemia de COVID-19.

Sabe-se que as pessoas que correm maior risco de doença grave por COVID-19 são os idosos e pessoas com doenças crónicas, tais como as doenças cardíacas, diabetes e doenças pulmonares. Os doentes portadores de doenças oncológicas com doença ativa, que são doenças crónicas e que diminuem a capacidade de resposta do sistema imune, também parecem ter maior risco de complicações, mas tal já acontece com outras infeções.

A capacidade deste vírus de infetar o Homem é muito recente, razão pela qual não se sabe ao certo se os doentes oncológicos estão mais propensos a desenvolverem a infeção do que a população em geral. Por outro lado, o risco é diferente se tem doença ativa ou está em tratamento de quimioterapia ou imunoterapia ou se está só em vigilância sem doença ativa.

Doenças oncológicas ativas: quem é abrangido pela definição?

Por doença ativa, explica Paulo Cortes, coordenador da Unidade de Oncologia do Hospital Lusíadas Lisboa, entende-se alguém “com um diagnóstico de uma doença oncológica ativa e, sobretudo, que esteja a fazer tratamento ativo com, por exemplo, quimioterapia ou imunoterapia que são tratamentos que podem provocar uma supressão imunitária, ou seja, uma diminuição da imunidade”. Nesses casos, “essa pessoa pode ter um maior risco de infeção ou de complicações, como aliás, pode ter um maior risco de outro tipo de infeções nomeadamente por bactérias”, explica o oncologista.

Quanto às outras pessoas que tiveram uma doença oncológica no passado, mas cuja doença não está ativa, “ou seja, um sobrevivente de cancro que está em vigilância, que não está em tratamento ativo”, diz Paulo Cortes, “essa pessoa tem um risco de contágio e de complicações que é semelhante à população em geral”.

Como proceder:

1) Conselhos para doentes que estão em seguimento, mas sem doença ativa, que estão sob terapêutica hormonal ou sem terapêutica.

Os doentes em seguimento, sem doença ativa, sob terapêuticas hormonais (por exemplo, letrozol, anastrozol, tamoxifeno, exemestano, bicalutamida, goserrelina, leuprorrelina...) ou sem tratamento, apresentam um risco de complicações semelhantes à população geral, em caso de infeção. As medidas diárias a tomar são as recomendadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS):

  • Medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, com um lenço de papel descartável ou com o antebraço, nunca com as mãos e deitar sempre o lenço de papel no lixo;
     
  • Lavar as mãos frequentemente: deve lavá-las sempre que se assoar, espirrar, tossir ou após contacto direto com outras pessoas. Deve lavá-las durante 20 segundos (o tempo que demora a cantar a música dos “Parabéns”) com água e sabão ou com solução à base de álcool a 70%;
     
  • Limitar o contacto próximo com pessoas;
     
  • Afastar-se de pessoas doentes nomeadamente com infeção respiratória;
     
  • Evitar tocar na cara com as mãos;
     
  • Evitar partilhar objetos pessoais ou comida em que tenha tocado.

2) Conselhos para quem está em tratamento ativo de quimioterapia ou imunoterapia

        a) O meu tratamento vai continuar?

Sim, desde que seja decidido pelo seu médico assistente que tem vantagem em continuar o tratamento e sempre após conversa consigo. É muito provável, no entanto, que o tratamento possa ser adaptado utilizando, por exemplo, esquemas de tratamento com intervalos mais longos ou terapêuticas orais. Os esquemas de radioterapia também podem ter menor duração sem compromisso da eficácia. Todas estas alterações visam manter a eficácia do tratamento minimizando as idas ao Hospital.

      b) Tenho maior risco de infeção?

Os doentes portadores de doenças oncológicas a fazer tratamentos ativos de quimioterapia e imunoterapia apresentam uma diminuição da capacidade de resposta do sistema imune e parecem ter maior risco de complicações, mas tal já acontece com outras infeções.

     c) O que devo fazer para proteger-me e para proteger os outros?

As medidas diárias a tomar são as recomendadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS):

  • Medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e a boca quando espirrar ou tossir, com um lenço de papel descartável ou com o antebraço, nunca com as mãos e deitar sempre o lenço de papel no lixo;
     
  • Lavar as mãos frequentemente: deve lavá-las sempre que se assoar, espirrar, tossir ou após contacto direto com outras pessoas. Deve lavá-las durante 20 segundos (o tempo que demora a cantar a música dos “Parabéns”) com água e sabão ou com solução à base de álcool a 70%;
     
  • Limitar ao máximo o contacto próximo com pessoas;
     
  • Afastar-se de pessoas doentes nomeadamente com infeção respiratória;
     
  • Evitar tocar na cara com as mãos;
     
  • Não partilhar objetos pessoais ou comida em que tenha tocado.

Máscara de proteção: devo usar?

1) Resposta para os casos de doentes que estão em seguimento, mas sem doença ativa, sob terapêutica hormonal ou sem terapêutica

Se não tiver sintomas ou nenhum membro da sua família ou cuidador tiver sintomas não necessita usar máscara de proteção de forma regular. O uso de máscara de forma incorreta pode aumentar o risco de infeção, por estar mal colocada ou devido ao contacto das mãos com a cara. A máscara contribui também para uma falsa sensação de segurança.

Se tiver sintomas (tosse, congestão nasal ou espirros), a utilização de máscara de proteção está indicada pois previne que vírus respiratórios e bactérias se espalhem para outras pessoas. Se tiver que recorrer a uma Unidade de Saúde deve usar máscara de proteção. Se utilizar máscara de proteção deve ter atenção ao modo correto de colocação e remoção.

Além disso, se usar máscara deve estar consciente de que a máscara não o protege completamente, devendo manter a distância suficiente a outras pessoas, não tocar na face externa da máscara e lavar imediatamente as mãos aquando da sua remoção. A máscara deve ser impermeável e descartável.

2) Resposta para para quem está em tratamento ativo de quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia

Para os doentes oncológicos em tratamento ativo e imunossupressor, o uso de máscara  é importante para proteção não só contra a COVID-19, como também contra outros agentes infeciosos, nomeadamente bactérias, pelo que a sua utilização está recomendada nas deslocações esporádicas fora do domicílio nomeadamente a unidades de saúde.

Se tiver sintomas, a utilização de máscara de proteção previne que vírus respiratórios e bactérias se espalhem para outras pessoas. Deve ser efetuado o ensino sobre o modo correto de colocação e remoção da máscara de proteção. Se usar máscara deve estar consciente de que a máscara não o protege completamente, devendo manter a distância suficiente a outras pessoas, não tocar na face externa da máscara e lavar imediatamente as mãos aquando da sua remoção. A máscara não deve ser reutilizada.

O que fazer se tiver sintomas de infeção respiratória?

  • Febre (temperatura superior a 38ºC);
  • Tosse (persistente ou agravamento da tosse habitual);
  • Dificuldade respiratória (Falta de ar);

1) Se estiver em seguimento mas sem doença ativa, sob terapêutica hormonal ou sem terapêutica:

Deve contactar a DGS SNS24 (808 24 24 24) e avisar a Unidade onde é seguido;

2) Se estiver em tratamento ativo de quimioterapia ou imunoterapia

Deve contactar a DGS SNS24 (808 24 24 24) e avisar a Unidade. 

Para mais informações consultar:

  • Site do Ministério da Saúde e da Direção-Geral da Saúde sobre a COVID-19
  • Site da Sociedade Portuguesa de Oncologia que tem informações sobre a doença oncológica durante a pandemia pelo coronavírus

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Revisão Científica

Dr. Paulo Cortes

Coordenador da Unidade de Oncologia Médica

Oncologia Médica
Hospital Lusíadas Lisboa
PT