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Idosos: como os apoiar e incentivar na quarentena

Saiba que precauções devem ter e como os pode ajudar se for cuidador.

Sabemos que quanto mais idosos maior o impacto da pandemia de COVID-19. As pessoas com mais de 60 anos com co-morbilidades e, aquelas com idades acima dos 70 anos, mesmo aparentemente saudáveis devem tomar cuidados redobrados durante a fase da pandemia de COVID-19.

Saiba que precauções devem ter e como os pode ajudar se for cuidador. Não nos devemos esquecer que a melhor medida é reduzirmos a transmissão individual, que é conseguida pelo isolamento social.

Porque se deve proteger os mais idosos?

 Os avisos são de contenção para as pessoas mais idosas porque, como alerta a Direção-Geral de Saúde, até ao momento verificou-se que o COVID-19 tem uma manifestação mais grave e um pior prognóstico com o avançar da idade.

Este impacto ainda se torna mais negativo em idosos com doenças associadas, como por exemplo doenças cardiovasculares (como a hipertensão e a insuficiência cardíaca), patologia respiratória crónica, diabetes ou doenças com comprometimento do sistema imunitário.

As autoridades assinalam ainda que a mortalidade sobe com o aumento da idade, ao que é possível verificar. Os tempos são de exceção, mas que podem as próprias pessoas fazer para manter um dia a dia o mais saudável possível e como podem os cuidadores ajudar os seus familiares com mais de 65 anos? Alguns conselhos.

Cuidados de higiene

Seguir os conselhos das autoridades de saúde é muito importante para toda a população, mas medidas como as seguintes ganham especial relevo para os mais idosos. Estas devem:

  • Lavar as mãos várias vezes ao dia

É preciso lavar as mãos com água e sabão durante 20 segundos várias vezes ao dia e sempre que se toque nalguma superfície não lavada, que se entre em contacto com alguém ou quando estão manifestamente sujas. Se tal não for possível, pode usar-se uma solução alcoólica, com pelo menos 60% de etanol, solução mais viável quando se está fora de casa.

A lavagem das mãos é a medida mais efetiva para prevenir a infeção por SARS-CoV-2 porque as gotículas de saliva, secreções e aerossóis de pessoas infetadas podem depositar-se nos objetos e superfícies que as rodeiam quando espirram e tossem e permanecerem portadoras da doença por várias horas.

  • Evitar levar as mãos à face, à boca, ao nariz e aos olhos

A doença transmite-se através de gotículas libertadas pelo nariz ou boca quando se tosse ou se espirra e que, por sua vez, podem atingir diretamente a boca, nariz e olhos de quem estiver próximo. As gotículas podem ainda depositar-se nos objetos ou superfícies que rodeiam a pessoa infetada pelo que as outras pessoas podem infetar-se ao tocar nos mesmos objetos ou superfícies e depois tocar nos seus olhos, nariz ou boca com as mãos. 

  • Cumprir a etiqueta respiratória

Deve tossir para a face anterior do cotovelo, deve usar lenços de papel descartáveis para higiene nasal (que após uma única utilização deve deitar logo ao lixo) e, no final, deve lavar sempre as mãos.

  • Lavar bem as superfícies em casa e os objetos usados mais frequentemente

Sabe-se que o vírus pode sobreviver vários dias nas superfícies pelo que se deve lavar com desinfetantes adequados os locais mais usados da casa, tais como as mesas, maçanetas, interruptores de luz, torneiras e telemóveis;

  • Evitar partilhar objetos pessoais
  • Arejar a casa

O ar das salas da casa deve ser renovado frequentemente ao longo do dia;

  • Reforçar os cuidados de higiene ao cozinhar

Neste momento, não há evidência de que haja transmissão do COVID-19 pelos alimentos. No entanto, seguindo o princípio de precaução, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) recomendam o reforço das seguintes práticas de higiene:

  • Lavagem frequente e prolongada das mãos, seguida de secagem apropriada evitando a contaminação cruzada (por exemplo, fechar a torneira com uma toalha de papel ao invés da mão que a abriu enquanto suja);
  • Desinfeção apropriada das bancadas de trabalho e das mesas com produtos apropriados;
  • Evitar a contaminação entre comida crua e cozinhada;
  • Cozinhar e “empratar” a comida a temperaturas apropriadas e lavar adequadamente os alimentos crus;
  • Evitar partilhar comida ou objetos entre pessoas durante a sua preparação, confeção e consumo;

Medicação

Cumprir a prescrição de medicação crónica é muito importante, pelo que se deve redobrar o cuidado e tomar rigorosamente os medicamentos. Se precisar de medicação, entre em contacto com o seu médico assistente ou médico de família que lhe poderá passar uma receita eletrónica e peça ajuda para aviar a receita. Informe-se junto da sua Junta de Freguesia ou Câmara Municipal para saber os serviços que disponibilizam para ajudar.

Se tiver de ir sozinho à farmácia, deve tomar algumas precauções pedidas pela Associação Nacional de Farmácias (ANF), tais como elaborar antes a lista de medicamentos que pretende, organizar as receitas em papel e preparar as mensagens de telemóvel com as receitas eletrónicas. Antes de sair de casa deve ainda lavar ou desinfetar as mãos, o telemóvel e o cartão com que tenciona pagar os medicamentos. Ao aguardar para ser atendido deve manter a distância de 2 metros, na fila.

Alimentação

 As medidas de isolamento e de distanciamento social podem ser um fator de risco para o agravamento do estado nutricional dos idosos - quer os que estejam no seu domicílio ou institucionalizados. Isto porque, tal como lembra a Direção-Geral da Saúde, “um pior estado nutricional associa-se a um pior prognóstico e a um risco aumentado de complicações em caso de doença aguda e, consequentemente está associada a um maior risco de mortalidade.”

Nesse sentido, a Direção-Geral da Saúde, no site Nutrimento, aconselha a que se promova uma alimentação adequada e deixa várias recomendações que seguem, aliás, os conselhos habituais dirigidos a esta faixa etária:

Leite e derivados

  • Diariamente devem ser consumidas duas porções de leite ou derivados (1 porção de leite = 240ml), nas refeições intercalares;

Fruta

  • Devem ser consumidas 2 a 3 porções de fruta por dia (1 porção = 1 peça de fruta média). A fruta deve ser preferencialmente descascada, para reduzir o risco de contágio;
  • Deve incentivar-se o consumo de frutos oleaginosos (por exemplo, amêndoas, nozes…) (1 a 3 vezes por semana);

Leguminosas

  • Devem ser consumidas leguminosas (por exemplo, feijão, grão, ervilhas, lentilhas…) pelo menos 3 vezes por semana, por exemplo, através da sua adição à sopa;
  • A sopa de hortícolas deve estar presente nas duas refeições diárias. Trata-se de uma importante fonte de vitaminas e minerais e que pode contribuir para otimizar o estado de hidratação;
  • Os verdes devem ser preferencialmente cozinhados, evitando nesta fase os legumes crus.

Carne

  • Deve ser incentivado o consumo de carne, pescado e ovos nas duas refeições principais (1 porção por refeição = 90 g), de modo a assegurar uma ingestão proteica adequada, sendo que o peixe gordo deve ser consumido com uma frequência de 2 vezes por semana;

Várias refeições ao longo do dia

  • Considerando a diminuição do apetite que é comum nesta faixa etária e a alteração do paladar, devem ser promovidas refeições frequentes ao longo dia e de menor volume (cerca de 5 a 6 refeições);

Hidratação

  • A manutenção de um bom estado de hidratação é essencial, situação que muitas vezes está comprometida devido à diminuição da sensação de sede nos idosos;
  • A quantidade de água a ingerir diariamente pode variar entre 1,5 a 1,9 litros de água, o que equivale a cerca de 8 copos de água;
  • A oferta frequente de água e em pequenas quantidades ao longo do dia é essencial;
  • As águas aromatizadas e as infusões podem ser opções a considerar, preferencialmente sem adição de açúcar;

De referir que estas são recomendações genéricas, que podem não se aplicar a casos específicos.

Exposição solar diária: aporte de vitamina D

Uma boa alimentação pode não ser suficiente para garantir o aporte necessário de vitamina D, uma hormona lipossolúvel que tem como função principal favorecer a absorção de cálcio e o metabolismo ósseo. É a vitamina D que permite a absorção de cálcio no intestino e que contribui para o seu armazenamento nos ossos e, no caso dos idosos, é particularmente importante para aqueles cuja exposição solar seja baixa ou nula.

É recomendado que, dentro das medidas de isolamento necessárias, as pessoas idosas tenham alguns minutos de exposição solar diária: cerca de 20 minutos por dia, pelo menos na face, antebraços e mãos, entre as 12h e as 16h, recomenda a Direção-Geral da Saúde, sem estarem a conviver em grupos.

Sinais de alerta de risco nutricional

Se é cuidador de um idoso, esteja atento a sinais de aumento do risco nutricional. São os seguintes:

  • Perda de peso não intencional;
  • Diminuição da ingestão alimentar;
  • Perda de apetite ou desinteresse pela alimentação;
  • Idosos com dificuldades de mastigação, idosos com dificuldades em ir às compras e/ou cozinhar.

Bem-estar psicológico

Apesar da situação de exceção que se vive, é importante que as pessoas mantenham as suas rotinas, recomenda uma comunicação da Ordem dos Psicólogos que aconselha as pessoas a:

Limitar a sua exposição a informações acerca da pandemia

  • Deve-se incentivar os idosos a limitar a sua exposição a notícias que possam aumentar a ansiedade,  preocupação, estados de tristeza e desmotivação posterior.

Comunicar regularmente e ajudá-los a adaptar-se às novas comunicações

  • Deve incentivar os idosos a ligar regularmente às pessoas e deve ligar-lhes também. Mostre-se interessado e disponível para falar;
  • Deve tornar disponíveis e acessíveis os meios de comunicação e tecnologias que possam facilitar a manutenção do contacto social (por exemplo, videochamadas). Perca algum tempo a garantir que a pessoa aprende e se se adapta a utilizá-los, uma vez que o isolamento pode levar ou aumentar sentimentos negativos.

Reforçar a rede de apoio próxima

  • Deve mobilizar pessoas próximas do cidadão sénior para lhe oferecer companhia, conforto e apoio, mesmo que à distância (podem, por exemplo, telefonar ou escrever). Pode constituir uma fonte fundamental de bem-estar para as pessoas sentirem que há pessoas que se preocupam, que estão próximas e que estão disponíveis para os ajudar ao longo do dia;

Seja afetuoso

  • Reforce as manifestações verbais de afeto;
  • Uma vez que as pessoas mais velhas podem ter mais dificuldade em adormecer, procure ligar-lhes e tranquilizá-las nessa altura ou proporcionar-lhes atividades calmas;

Esteja atento

  • Monitorize o estado de saúde e de bem-estar do cidadão sénior com mais frequência – uma a duas vezes por dia.
  • Esteja atento a sintomas de doença. Mesmo sintomas habituais podem ter, nesta situação, um significado diferente. Em caso de dúvida ou alterações às condições de saúde habituais procure um profissional de saúde;

Incentive-os a manterem-se ativos

  • Garanta que as pessoas fazem exercício físico (caminhar pela casa, levantar-se várias vezes ao dia, realizar exercícios simples);
  • Sugira-lhe atividades lúdicas que o possam manter interessado, ativo e distraído psicologica e emocionalmente.

Nota final

Esteja atento aos sintomas

A maioria dos casos de infeção por COVID-19 apresentam sintomas respiratórios ligeiros a moderados, semelhantes aos da gripe sazonal, tais como tosse, febre e dificuldade respiratória. Em casos mais graves pode levar a pneumonia grave com insuficiência respiratória aguda, falência renal ou de outros órgãos.

Em caso de sintomas, deve entrar de imediato em contacto com o seu médico assistente ou o seu médico de família, visto que é quem melhor conhece o seu estado de saúde bem como os seus recursos. Caso não consiga estabelecer esse contacto tem a linha SNS 24 (808 24 24 24).

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Revisão Científica

Dra. Patrícia Maia

Coordenador da Unidade de Medicina Geral e Familiar

Medicina Geral e Familiar
Hospital Lusíadas Lisboa
PT