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6 doenças que afetam mais os homens

Genética, comportamentos de risco e causas desconhecidas tornam os homens mais vulneráveis a alguns tipos de cancro e a doenças como a apneia do sono.

Estas seis doenças afetam mais os homens do que as mulheres. Nadine Monteiro, especialista em Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa, explica porquê.

1. Doença cardiovascular

A incidência da doença cardiovascular (DCV) é maior nos homens, especialmente em idades mais jovens, até aos 50 anos. Em parte, pela maior suscetibilidade a alguns dos maiores fatores de risco — a hipertensão arterial, o colesterol elevado, o tabagismo, a diabetes, a obesidade, o alcoolismo e o sedentarismo —, mas também porque, por questões hormonais, os homens estão menos protegidos.

“Estudos epidemiológicos e clínicos demonstram que a incidência da doença cardiovascular na mulher aumenta significativamente com a menopausa, sugerindo um efeito cardioprotetor dos estrogénios (influentes no sistema cardiovascular e no metabolismo lipídico).

No entanto, o mecanismo deste benefício não está esclarecido”, explica Nadine Monteiro, especialista em Medicina Interna do Hospital Lusíadas Lisboa. A doença cardiovascular é a principal causa de mobilidade e de mortalidade no mundo em ambos os géneros. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número anual de mortes por doença cardiovascular aumentará de 17 milhões em 2004 para 25 milhões em 2030.

2. Tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão

Em Portugal, este tipo de tumores mata anualmente quase quatro vezes mais homens. Em 2014, os tumores malignos da traqueia, brônquios e pulmão causaram 3077 óbitos masculinos e estiveram na origem da morte de 850 mulheres. “Sabe-se que a exposição ao tabaco continua a ser um importante fator de risco para alguns cancros (onde se incluem os tumores da traqueia, dos brônquios, e dos pulmões) e que, em termos globais, esse hábito é mais comum nos homens”, explica Nadine Monteiro.

“No entanto, há estudos que encontraram uma possível relação entre mutações do cromossoma Y (exclusivo dos homens) e o maior risco de cancro. E este facto pode explicar também a maior incidência e a maior mortalidade de cancros não relacionados com o sexo e com o tabagismo no homem”, sublinha. A incidência e a morte por cancro, em geral, são maiores nos homens.

3. Cancro da próstata

É a segunda causa de morte por cancro no homem, atrás do cancro do pulmão, sendo o tumor masculino mais frequente depois dos 50 anos, alerta a Associação Portuguesa de Urologia.

Em Portugal, o cancro da próstata tem uma incidência de 82 casos por 100 mil habitantes e uma mortalidade de 33 por 100 mil habitantes, representando cerca de 3,5% de todas as mortes e mais de 10% das mortes por cancro. Segundo a Direção-Geral da Saúde, a medição anual de PSA e palpação prostática através do toque retal devem ser feitas anualmente, entre os 55 e os 70 anos.

Nos homens com risco elevado, nomeadamente com história familiar de cancro da próstata, o rastreio deve ser iniciado dez anos mais cedo, aos 45 anos.

4. Cálculo renal

Não são conhecidas estatísticas sobre a realidade portuguesa em específico, mas sabe-se que, na Europa Ocidental, a prevalência do cálculo renal varia de 8% a 19% nos homens e de 3 a 5% nas mulheres — o que significa um rácio homem/mulher que pode chegar aos 2,5 casos masculinos por cada mulher afetada.

A incidência depende da região geográfica, do clima, da etnia, da dieta e de fatores genéticos. No entanto, e mais uma vez, verifica-se que as diferenças de género se atenuam nas faixas etárias após os 50 anos. “A maior prevalência de cálculos renais em homens e em mulheres pós menopausa tem sido atribuído, em parte, ao efeito protetor dos estrogénios através da diminuição da excreção renal de cálcio”, explica a especialista em Medicina Interna.

5. Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono

A obesidade é um dos fatores de risco da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) — cerca de 40 a 60% dos casos diagnosticados estão relacionados diretamente com o excesso de peso. E esse é um dos motivos por que o problema afeta duas a quatro vezes mais os homens.

“O padrão de distribuição da gordura difere consoante o género. Nos homens concentra-se tendencialmente no abdómen e na região do pescoço”, lembra Nadine Monteiro. O aumento do volume abdominal contribui para “diminuição da capacidade de expansão pulmonar” e a acumulação de gordura na área do pescoço conduz “ao estreitamento das vias respiratórias” — “Os dois mecanismos estão diretamente relacionados com o desenvolvimento da apneia do sono”.

Outro fator é a influência hormonal. “Nas mulheres, a prevalência de SAOS é maior na faixa etária pós-menopausa, o que sugere um efeito protetor das hormonas sexuais femininas”, concluiu a especialista.

6. Pneumonia

Os homens têm uma maior probabilidade de morrer por pneumonia, mas não por questões relacionadas com a biologia. “Efetivamente, a mortalidade por pneumonia intra-hospitalar é maior nos homens. Mas isso deve-se a um conjunto de comportamentos de risco e de hábitos de vida que são, regra geral, mais frequentes nos homens”, confirma Nadine Monteiro.

De acordo com um estudo conduzido pelo pneumologista Filipe Froes, do Hospital Pulido Valente, a mortalidade por pneumonia é 10% mais baixa nas mulheres. Elas demonstram maior resistência, menos fatores de risco e de, uma forma geral, “controlam melhor as doenças crónicas e são mais aderentes às terapêuticas”, explicou o especialista aquando da apresentação do estudo.

Na generalidade, os principais fatores de risco para a ocorrência de pneumonia são: tabagismo, institucionalização, imunossupressão (como VIH), doença pulmonar obstrutiva crónica, insuficiência cardíaca, convulsão, acidente vascular cerebral (AVC) prévio com sequelas (nomeadamente na deglutição), cancro, diabetes, doença renal grave.

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Especialidades em foco neste artigo

Colaboração

Dra. Nadine Monteiro

Medicina Interna
Hospital Lusíadas Lisboa
PT