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Medicina Preventiva: saiba que patologias ajuda a prevenir

A vacinação, o despiste precoce de cancros e a promoção de comportamentos de vida saudáveis ajudam a prevenir várias patologias graves.

Uma das formas de pensar a Medicina e a saúde é a partir da prevenção. Desde o aparecimento das vacinas até aos conhecimentos mais recentes (como, por exemplo, da área da genética), existem cada vez mais abordagens que podem ajudar a evitar o aparecimento ou o desenvolvimento de patologias. Este é o universo da medicina preventiva.

“A medicina preventiva passa por todos os comportamentos, uns de carácter mais geral que promovem a saúde a vários níveis, e outros dirigidos especificamente a determinadas doenças. O objetivo é o mesmo: reduzir a probabilidade de a pessoa vir a desenvolver certas doenças”, resume António Balsa, especialista e coordenador da Unidade de Medicina Geral e Familiar do Hospital Lusíadas Amadora.


Três dimensões da medicina preventiva

De uma forma mais ampla, não é só “aos 40 anos” que se deve pensar em medicina preventiva — até os cuidados que uma mãe pode ter durante a gravidez para evitar o desenvolvimento de problemas no feto e futura criança (e adulto) são abordagens que fazem parte da sua forma de atuar.

“Quando estamos a dizer a uma grávida para tomar alimentos com vitamina D, estamos já a contribuir para que a futura criança não desenvolva, mais tarde, osteoporose, um problema em que, geralmente, só se pensa quando somos mais velhos”, exemplifica António Balsa.

Podemos considerar três dimensões concretas em que a medicina preventiva age:

1. A primeira passa pelo plano de vacinação. “O aumento da esperança média de vida na Europa e em Portugal tem, em parte, origem nas vacinas e antibióticos”, recorda o médico.

2. A segunda dimensão é o despiste que se faz a certos cancros, a partir de uma certa idade. Esta é uma forma de se evitarem doenças complicadas, potencialmente fatais, através da sua identificação precoce.

3. A terceira dimensão tem que ver com o estilo de vida das pessoas. “São comportamentos adotados durante toda a vida, uns mais adequados a uma fase, outros mais adequados a outra, que previnem genericamente, vários tipos de doenças, concretamente algumas que podem ser muito graves. O especialista deixa alguns exemplos: “Doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, renais ou respiratórias, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica [DPOC])”, explicita António Balsa.


Vacinação universal

O Programa Nacional de Vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenir várias doenças infeciosas. Neste momento, este plano contempla para os primeiros anos de vida vacinas contra a hepatite B, a poliomielite, vários tipos de meningites, a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a pneumonia causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, o sarampo, a rubéola, a papeira e, um pouco mais tarde, o vírus do papiloma humano (HPV), que tem um potencial cancerígeno. 


Despistes durante a meia idade

A partir de uma certa idade, tanto nos homens como nas mulheres, é aconselhada a realização de alguns exames, de forma a fazer deteção precoce de cancros antes de chegarem a uma fase avançada, se os houver. São eles:

1. Nas mulheres, a partir dos 50 anos, a realização da mamografia e ecografia mamária, devido ao cancro da mama; 

2. Nas mulheres, entre o início de “vida sexual” e até cerca dos 64 anos, o exame ginecológico e realização de Colpocitologia (vulgo “Papanicolau”), para eventual deteção do cancro do colo do útero; 

3. Para homens e mulheres, após os 50 anos, colonoscopia (ou, eventualmente, a pesquisa de sangue oculto nas fezes) para a deteção precoce do cancro do cólon e do reto

4. Nos homens, o exame à próstata, quer por observação médica, realização da análise do PSA e/ou realização de ecografia, devido à possibilidade de cancro da próstata.

Prevenção através do estilo de vida 

O terceiro campo é mais complexo. Abarca as atitudes que as pessoas têm ao longo da vida, tocando nas áreas da alimentação, do desporto e de comportamentos pensados para a saúde — não fumar, não beber álcool em excesso, reduzir a ingestão de sal e de açúcar e ter cuidado com o bem-estar psicológico.

“Não esquecendo a influência que a hereditariedade pode ter, os ‘comportamentos’ que a pessoa tem ao longo da vida são dos aspetos mais importantes para a promoção da saúde e consequente prevenção de doença”, sublinha António Balsa. 

Estes comportamentos têm impacto a diferentes níveis. Não fumar é, por exemplo, uma forma de reduzir muito a probabilidade de várias doenças, como, por exemplo, o cancro do pulmão, a DPOC, e as doenças cardio/cerebrovasculares.

Já os cuidados na alimentação relativos ao sal, ao açúcar ou às gorduras más, poderão ter influência na subida da tensão arterial, no aparecimento e/ou controlo da diabetes, no controlo do peso (e certo tipo de “gordura” do corpo”), e no adequado funcionamento dos vasos sanguíneos e do coração. Este aspeto — a saúde vascular, mais concretamente, das artérias — é uma das áreas onde é importante atuar, permitindo reduzir “o risco de “entupimento”, explica o médico. “Fazendo exercício físico, reduzindo o colesterol, diminuindo a ingestão de sal, controlando a Tensão Arterial e não estando sujeito a altos níveis de stress.”

Fala-se, por vezes, na “síndrome plurimetabólico”, refere António Balsa. “Acontece quando se verifica que existe um descontrolo em vários dos parâmetros importantes, avaliados em ‘análises de sangue’ - como, por exemplo, glicose, triglicéridos, ácido úrico, ureia, creatinina, colesterol. Se vários destes indicadores estiverem mal, estão a contribuir muito para doenças cardiovasculares. Se estiverem bem, estão a reduzir muito a probabilidade desses problemas virem a surgir”.

Uma visão integrada da saúde

É, no entanto, importante considerar a especificidade de cada pessoa. Para tal, o médico deve realizar uma boa história clínica da pessoa, que permite ter conhecido concreto dos problemas de saúde anteriores, bem como os da família mais “chegada” — mais especificamente, dos avós, pais ou irmãos. Desta forma, é possível recomendar e adequar a cada pessoa os melhores “comportamentos de vida”, assim como “exames” a fazer de acordo com riscos reais que o indivíduo tem em desenvolver uma determinada doença.

“Se se sabe que o avô paterno morreu de enfarte do miocárdio, que o pai tem problemas de coração, somos levados a pensar que naquela pessoa, além dos exames mais ‘genéricos’ que se aplicam a toda a gente, temos de pensar em aspetos mais específicos para pensar em problemas particulares do coração”, exemplifica o médico. 

António Balsa explica que a Medicina Geral e Familiar é a especialidade que melhor poderá promover este tipo de abordagem.  No entanto, considera que consultas específicas sobre Medicina Preventiva seriam de imenso valor.

“Sou defensor de que haja consultas de medicina preventiva. Uma consulta onde, mais concretamente, se dirige a atenção ao despiste/deteção precoce de certas doenças, de onde se destacam, naturalmente: as cancerosas, cardio/cerebrovasculares, renais, algumas doenças ‘respiratórias’, como o DPOC, e muitas outras”, diz. “As consultas de medicina preventiva sistematizariam para toda as pessoas um conjunto de atitudes e comportamentos, que são muito importantes para a prevenção.”

Além disso, esse tipo de consultas, iria promover a educação para a saúde, sustenta o médico, pois poderia incluir a abordagem de noções sobre “alimentação, desporto, exercício físico e bem-estar psicológico”. Poderiam, também, ser integradas a vigilância dentária e a vigilância oftalmológica.“Há muita coisa para fazer a nível de medicina preventiva.”

Não deixe para amanhã. Aposte numa atitude preventiva e conte com as nossas equipas de Medicina Geral e Familiar, especialidade presente nas unidades Lusíadas do norte e da grande Lisboa. Conheça o nosso corpo clínico e descubra o Hospital ou Clínica mais perto de si.  
 

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Colaboração

Dr. António Balsa

Coordenador da Unidade de Medicina Geral e Familiar

Hospital Lusíadas Amadora:
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