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Os 4 níveis essenciais da prevenção

No que toca à saúde, prevenir é sempre o melhor remédio. Conheça os níveis de prevenção e evite o desenvolvimento de patologias.

Muito se ouve falar no termo prevenção. Mas esta é uma palavra que surge, essencialmente, em consultório e, na maioria das vezes, já com uma patologia em vista. Mas a prevenção tem vários níveis e não tem necessariamente de ser sinónimo de doença ou preocupação.
 
“Nas consultas de Medicina Geral e Familiar abordamos os quatro níveis de prevenção. O ideal é trabalharmos na prevenção primária, ou seja, na prevenção de fatores de risco que podem levar à doença. Ou ainda na secundária, em que já existe um estado de pré-doença, como, por exemplo, a alteração dos níveis do açúcar, sem ainda corresponder a um diagnóstico de diabetes”, começa por esclarecer André Lourenço, especialista em Medicina Geral e Familiar na Clínica Lusíadas Gaia.

Mais vale prevenir

São quatro os níveis de prevenção e a mesma pode simplesmente começar em casa e no quotidiano. Tal como explica André Lourenço: “A prevenção primária é quando há uma prevenção de fatores de risco de uma possível doença, antes de esta existir”, diz. “Por exemplo: ensinarmos as crianças a ter bons hábitos alimentares desde pequenas, a ter bons hábitos de sono ou a praticar exercício físico. Ou seja, [a prevenção primária] aplica-se quando não há uma doença instalada, nem sequer o risco de a desenvolver, tentando, antes, adquirir-se hábitos de vida saudáveis.”
 
Na prevenção secundária existe já um controlo de fatores de risco, uma vez que este já está presente. O especialista dá exemplos: “Uma pessoa que tem a tensão ligeiramente elevada, mas que ainda não é classificada como hipertensa. Ou alguém que tenha o açúcar ligeiramente elevado e que, apesar de ser chamado de pré-diabético, ainda não é diabético. Imaginemos ainda um indivíduo com excesso de peso, que ainda não chegou à obesidade (já considerada uma doença), mas que para lá caminha.”
 
Ou seja, no caso da prevenção secundária, existe um risco de patologia identificado, mas ainda sem doença objetivada. Aqui, o objetivo passa por controlar esses fatores de risco, de forma a que não haja uma evolução”, diz André Lourenço.
 
Já o terceiro nível da prevenção, ou a prevenção terciária, acontece quando já existe uma patologia instalada. “Nesta fase, vamos controlar ao máximo os fatores de risco que podem agravá-la ou trazer ainda outros problemas”, diz. “No caso de uma pessoa que teve um enfarte, por exemplo, temos de controlar todos os fatores cardiovasculares. Se se tratar de um doente hipertenso ou diabético, é importante controlar todos os fatores de risco que possam complicar a sua patologia”.
 
Por fim, chegamos à prevenção quaternária em que “nos prevenimos dos excessos de prevenção”, especifica André Lourenço. “Nós, enquanto médicos de família, temos de deixar claro o que é que vale a pena prevenir e o que é que é já uma prática um bocadinho excessiva e para lá do razoável.”
 
Porque há coisas que vale a pena fazer e outras que nem tanto. “Por exemplo, medicarmos um idoso de 98 ou 99 anos para o colesterol não faz grande sentido. É importante simplificarmos um bocadinho as terapêuticas que são instituídas ao máximo, para que não haja algum malefício para a pessoa. No fundo, trata-se de evitar prevenções desnecessárias. Dizer alguém que é obrigatório fazer um check-up de três em três meses, quando aquilo não lhe traz benefício, só vai servir para contribuir com algum grau de ansiedade”, remata.
 

Exames apropriados a cada pessoa e a cada necessidade

Cada pessoa deve fazer, no mínimo, uma consulta anual de Medicina Geral e Familiar e de Medicina Preventiva para vigilância das suas patologias ou controlo de fatores de risco. Nessas consultas são então pedidos os exames apropriados e adaptados a cada pessoa e necessidade. Mas quais?
 
Caso não haja história familiar, "os rastreios oncológicos no caso da mulher adulta e do homem adulto. Aqui são particularmente importantes o rastreio do cancro da mama, a orientação para ginecologia e para rastreio do colo do útero e o rastreio do cancro do colorretal a partir dos 45 anos”, diz. Além disso, o especialista indica ainda “o rastreio de outras patologias, nomeadamente as doenças cardiovasculares, a osteoporose, as patologias osteoarticulares, doenças respiratórias ou ligadas à saúde mental”, que, com o envelhecimento, são condições que devem ser vigiadas. 
 
É, no entanto, importante sublinhar que um diagnóstico ou controlo precoce de fatores de risco e de mudanças de estilo de vida — que podem ser auxiliadas e acompanhadas pelo médico de família —, podem alterar significativamente a forma como as doenças e as patologias evoluem, ou até permitir que estas não cheguem sequer ao estado de doença (ou seja, a tal prevenção primária).
 

Que exames fazer

De forma regular:
 

  • Análises clínicas

Perfil lipídico, ureia, glicemia, entre outras;
Medição da tensão arterial;
 

  • Eletrocardiograma (ECG):

O eletrocardiograma deve ser realizado de 2 em 2 anos, a partir dos 40 anos, particularmente no caso de ser fumador, hipertenso, se existir uma doença cardíaca ou diabetes;
 

  • Rastreio visual

Deve ser feito de 2 em 2 anos;
 

  • Rastreio auditivo

A partir dos 40 anos, devendo ser repetido de 3 em 3 anos;
 

  • Colonoscopia

Permite detetar precocemente o cancro do cólon. Deve ser realizado a partir dos 45 anos e repetido de 5 em 5 anos;
 

  • Exame dermatológico

Permite detetar alterações cutâneas e cancro da pele. Deve ser realizado de 5 em 5 anos, exceto se houver indicação contrária do dermatologista.
 

  • Densitometria óssea

É um instrumento para o diagnóstico de osteoporose, por determinar a densidade mineral óssea. Nas mulheres deve ser feito depois dos 65 anos, caso não existam fatores de risco. Nos homens, este exame deve ser feito, geralmente, a partir dos 70 anos.
 
E periodicamente:
 
Mulheres
 

  • Mamografia e ecografia mamária

São exames de rastreio que permitem diagnosticar precocemente o cancro da mama. Não existindo antecedentes familiares, devem ser realizadas a partir dos 45 anos e repetidos duas vezes por ano. Existindo antecedentes familiares, a primeira mamografia e ecografia mamária devem ser realizadas por volta dos 35 anos e, depois, repetidas conforme conselho médico.
 

  • Teste de Papanicolau (citologia)

Permite detetar precocemente o cancro do colo do útero. Deve ser feito um ano após início de relações sexuais e repetido de três em três anos. A partir dos 65 anos, e no caso  de na última década os resultados de três citologias tiverem sido negativos, o prazo poderá ser alargado, de acordo com a opinião do médico assistente e conforme o grau de risco da pessoa.
 
Homens
 

  • Doseamento do Antigénio específico da Próstata (PSA)

Análise que ajuda na deteção precoce de cancro da próstata e que deve ser feito a partir dos 45 anos. O exame prostático é recomendado a partir dos 50 anos.
 

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Colaboração

Dr. André P. Lourenço

Hospital Lusíadas Porto:
Clínica Lusíadas Gaia:
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